O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

4 de abril de 2021

VIGÍLIA PASCAL: CUME DO ANO LITÚRGICO

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

Vigília Pascal

 

Textos bíblicos:

Gn 1,1-2,2(criação); Gn 22, 1-18(sacrifício de Isaac); Êxodo 14,15-15,1(passagem do Mar Vermelho); Isaías 54,5-14renovaçào das núpcias de Javé com Israel); Isaías 55,1-11(banquete messiânico); Baruc 3,9-15.32-4,4(Israel deve voltar à fonte da sabedoria – Deus); Ezequiel 36,16-17ª.18-28(coração novo); Romanos 6,3-11(batismo: morrer e ressuscitar com Cristo); Salmo 118(117); Marcos 16,1-7(as mulheres vão ao sepulcro):

A liturgia é a mesma nos anos A, B e C, exceto os evangelhos. As nove leituras desta noite constituíam, na Igreja primitiva, o último ensinamento aos cristãos, antes do batismo. Elas procuram dar uma visão de toda caminhada de Deus com a humanidade, desde a criação até a nova criação realizada em Jesus Cristo. A Liturgia desta noite deve falar por si mesma: o mistério da nova luz que nasce das trevas. Acendendo uma vela no círio pascal, nos unimos a essa nova luz! Participamos da ressurreição de Cristo. Somos um novo povo que testemunha que Jesus Ressuscitado é o Senhor da História.

Em Êxodo 14,15-15,1 temos a consciência e o reconhecimento do povo que deve a Deus a sua liberdade. A libertação de Israel da escravidão anuncia a definitiva libertação em Cristo e a “passagem/páscoa” dos cristãos da morte para a vida. A carta aos Romanos 6,3-11 anuncia que todo batizado é “morto”, “crucificado”, “sepultado”, “ressuscitado”, identificado com Cristo. Salmo 118(117) – Jesus é a expressão máxima do amor e misericórdia de Deus. Marcos 16,1-7 – A narrativa de Marcos é de caráter histórico, culminando no versículo 6. Não há alegria, só incompreensão e medo. A morte/ressurreição de Jesus foi difícil de ser assimilada e aceita como a nova Aliança de Deus com a humanidade. As mulheres(15,40) ouvem e se calam, sem poder explicar o desaparecimento do corpo morto de Jesus. Nesta mesma hora recebem um anúncio e uma missão. Sentem medo pelo inexplicável do sobrenatural. O silêncio das mulheres reflete a ambigüidade das atitudes diante da mensagem central da ressurreição: O Nazareno, o homem com quem vocês conviveram, o crucificado, fracassado, injustiçado... ressuscitou! Vai recomeçar tudo de novo na Galiléia! Não é necessário dizer mais nada aos outros discípulos com Pedro! Devemos ser sua testemunha na Galiléia, periferia do mundo.

2-Atualizando: Hoje parece que a morte está vitoriosa matando a esperança da humanidade. Mas, na escuridão da noite e silêncio da morte, o orvalho está impregnando a terra. Amanhã, no domingo, a morte não terá mais poder e será aniquilada. A esperança está viva! Qual é a esperança que mantém todos os crucificados firmes na luta?

 

3-A palavra de Deus na celebração:

Profundamente atingidos pela luz do ressuscitado, fazemos memória dos feitos maravilhosos de Deus na história. Renovamos nossa consagração batismal e participamos da ceia, passando com Cristo, da morte para a vida. Celebramos nesta noite a páscoa em todas as suas dimensões: cósmica, histórica, batismal, eucarística, escatológica...

4-Dicas, lembretes e sentido para esta celebração, ponto alto das festas pascais, encontram-se nas p. 175-176; 178-180 do Dia do Senhor, Ciclo Pascal ABC e um completo roteiro está nas p. 207-234.

1. A celebração da Vigília se desenvolve em quatro importantes partes: liturgia da luz, da palavra, da água e da eucaristia. Além da cor branca e das flores, é necessário prever e organizar o espaço de acordo com os diversos momentos.

2. Através da Liturgia da Luz, através do fogo novo, do Círio, das velas, do incenso, adoramos o Ressuscitado, luz de nossa vida.

a) Preparar uma bonita fogueira, começando a vigília fora do local da celebração, ao ar livre. Enquanto as pessoas vão chegando, a equipe de cantores entoa músicas populares, de esperança, de saudades: “Hoje, eu quero a rosa... Luar do sertão; Eu quero ver acontecer... Liberdade vem e canta...”

b) Quem preside, após uma acolhida, pode motivar a comunidade a convidar o universo a celebrar junto a festa da Páscoa. O animador e outras pessoas vão chamando as criaturas do universo (lua, vento, estrelas, terra, rios, pássaros...), grupos e comunidades... Após cada invocação, todos respondem: “Vem celebrar conosco a páscoa do Senhor!”

c) A pessoa que preside a celebração invoca a bênção sobre o fogo e acende o círio pascal com o fogo novo, dizendo: A luz de Cristo que ressuscitou resplandecente dissipe as trevas do nosso coração e de toda a nossa vida. No círio, acendem-se as velas da assembléia.

d) Começa-se a procissão da luz onde, como o povo de Deus no deserto guiado por uma coluna de nuvem, nós também caminhamos conduzidos pelo círio pascal, imagem do Cristo luz da humanidade. Durante a procissão, entoar cânticos alegres, da caminhada, de acordo com a cultura popular: “O povo de Deus... Quero entoar um canto novo de alegria... Eu quero ver acontecer...” Cuidar de escolher cantos que todos saibam de cor, para dispensar folha de canto e vivenciar bem, “curtir melhor” a caminhada pascal. Em três momentos da caminhada, para-se e a pessoa que traz o Círio, canta: “Eis a luz de Cristo!” A assembléia responde: “Demos graças a Deus!” Um grupo de crianças poderá caminhar à frente, jogando pétalas de flores no Círio e na comunidade.

e) Ao chegar à Igreja, o Círio é incensado. Canta-se, então, a solene proclamação da Páscoa. Há uma versão indicada no Hinário 2, p. 143 , onde a assembléia participa com a resposta: “Bendito seja o Cristo Senhor, que é do Pai imortal esplendor!” Há ainda outras versões bem populares que merecem ser divulgadas. Durante o canto da proclamação da Páscoa, no momento indicado pelo próprio canto, fazer a entrada da cruz bem florida e com um pano branco.

3. Através da Liturgia da Palavra, contemplamos a longa e maravilhosa história do amor de Deus por nós e meditamos as ações maravilhosas que ele realizou aos nossos antepassados e continua conosco, hoje.

a) É importante que esta parte seja bem preparada, para que a palavra seja, de fato, proclamada. A primeira leitura, também chamada de Poema da Criação, é aconselhável manter na proclamação, seu estilo poético. Se possível, uma família proclama seu conteúdo.

b) A leitura do Êxodo pode ser contada, seguida de uma dança no Cântico de Míriam e Moisés.

c) A leitura de Isaías pode ser recitada de cor. Após cada leitura segue o canto do salmo e a oração.

d) Ao final das leituras bíblicas, pode-se fazer uma dança, ou encenação, evocando as páscoas de nossa história, seja a nível mundial, nacional e da própria comunidade local. A comunidade pode continuar dizendo o que, desde a última Páscoa, foi sinal de vida e ressurreição. Após cada colocação, a assembléia poderia intervir com uma breve manifestação, como “Isto é Páscoa!”

e) Segue o canto do glória, a oração da coleta, a epístola.

f) O texto da carta aos Romanos pode ser proclamado por uma pessoa da pastoral do batismo.

g) Dar especial destaque ao Evangelho, com uma aclamação bem vibrante, toque de sinos, fogos.  Se possível, seja cantado. As velas podem ser acesas novamente durante a proclamação.

4. Através da Liturgia do Batismo renovamos o nosso compromisso batismal e acolhemos os novos membros da comunidade.

a) A água poderá ser trazida em 7 vasilhas, por 7 jovens vestidas de branco e em ritmo de dança. Colocam-se junto à pia batismal, que nesta noite, deverá estar bem destacada e ornamentada. Durante a oração, a cada tipo de água recordada na bênção, derramar a água de uma vasilha na pia batismal..

b) Inicia-se com a invocação dos santos e santas, que poderá ser cantada.

c) Em seguida, faz-se a Bênção da água. A pessoa que anima convida todos a rezarem sobre a água: “Nós, que participamos da páscoa de Cristo, vibramos com as maravilhas do Deus vivo na história e em nossas vidas, e agora invocamos a bênção de Deus sobre esta água.” (silêncio)

1: Bendito sejais vós, Senhor, Deus do universo,

     Porque, pelos sinais visíveis dos sacramentos,

     realizais maravilhas invisíveis.

     Ao longo da história da salvação,

     vos servistes da água para fazer-nos conhecer a graça do batismo

                                  T: (cantando) Fontes de água viva, bendigam ao Senhor.

2. Bendito sejais vós, Deus criador do universo,

    porque já na origem do mundo

    vosso Espírito pairava sobre as águas

    para que elas concebessem a força de santificar.

                                     T: Fontes de água viva, bendigam ao Senhor!

3. Bendito sejais vós, Deus da Aliança,

   que nas próprias águas do dilúvio

    prefigurastes o nascimento da nova humanidade,

    de modo que a mesma água sepultasse os vícios

    e fizesse nascer a santidade.

                                         T: Fontes de água viva, bendigam ao Senhor.

4. Bendito sejais, Deus de nossos pais,

porque concedestes aos filhos de Abraão

atravessar o Mar Vermelho a pé enxuto

para que, livres da escravidão,

prefigurassem  o povo nascido da água do Batismo

    T: Fontes de água viva, bendigam ao Senhor.

5. Bendito sejais, Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

porque quisestes que vosso Filho,

ao ser batizado nas águas do Jordão

fosse ungido com o Espírito Santo.

   T: Fontes de água viva, bendigam ao Senhor.

6. Pendente da cruz,

permitistes que do seu coração aberto pela lança,

corresse sangue a água,

anunciando os sacramentos da Igreja.

Após a ressurreição,

Quisestes que ele ordenasse aos apóstolos:

“Ide, fazei discípulos meus todos os povos,

batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

T: Fontes de água viva, bendigam ao Senhor.

7. Olhai, agora, ó Pai a vossa Igreja

e fazei brotar para ela a água do batismo.

Que o Espírito Santo dê, por esta água, a graça do Cristo,

Afim de que o ser humano,

Criado a vossa imagem e semelhança,

Seja lavado da antiga culpa, pelo batismo,

E renasça pela água e pelo Espírito Santo

Para uma vida nova.

T: Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                                                    Que santifique a fonte da água.

(O que preside mergulha o círio pascal na água e continua;)

Nós vos pedimos, ó Pai,

que por vosso Filho desça sobre essa água

a força do Espírito Santo.

E todos os que, pelo batismo,

Forem sepultados na morte com Cristo,

Ressuscitem com ele para a vida.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho

Na unidade do Espírito Santo. T: Amém.

d) Renovação das promessas batismais. A assembléia, de velas acesas, faz a sua profissão de fé. É importante preparar bem para que não seja algo apenas formal. Poderia ser o momento de apresentar os compromissos firmados pelos grupos durante a quaresma, tendo presente a proposta da CF deste ano.

e) Segue o rito do batismo (se houver) e o rito de aspersão sobre toda a assembléia, acompanhado do canto: “Eu vi, eu vi, vi foi água a manar”(HL 3, CNBB, p. 83).

5. Através da Liturgia Eucarística, damos graças pela Páscoa do Cristo e participamos da mesa que o Senhor nos preparou com sua morte e ressurreição.

a) Quem anima convida a assembléia a se reunir ao redor do altar. Pode-se cantar essa ou outra louvação.

C: O Senhor esteja com vocês!

T: Ele está no meio de nós!

C: Demos graças ao Senhor nosso Deus!

T: É nosso dever e nossa salvação!

C: Ó Deus bondoso e fiel, é muito bom te louvar em todo o tempo e lugar, especialmente neste tempo em que Cristo, nossa páscoa, foi imolado.

C: Bendito e louvado sejas, ó nosso Pai criador, em santa páscoa louvamos por Cristo, nosso Senhor! Ó Senhor, bendito seja o teu nome.

T: Bendito e louvado seja, aleluia!

C: Jesus é nosso Senhor por sua ressurreição, da morte é vencedor, da vida é campeão! Ó Senhor, bendito seja o teu nome.

T: Bendito e louvado seja, aleluia!

C: Hoje Ele é nosso Senhor por sua ressurreição, ele é do céu e da terra a reconciliação! Ó Senhor, bendito seja o teu santo nome.

T: Bendito e louvado seja, aleluia!

C: Hoje, ele é nosso senhor por sua ressurreição, dos tristes, consolador; dos pobres, libertação! Ó Senhor, bendito seja o teu nome.

T: Bendito e louvado seja, aleluia!

C: Hoje, ele nosso Senhor por sua ressurreição, as mãos se dão céu e terra, é uma só louvação!

Santo, santo, santo...

6. É aconselhável a comunhão sob as duas espécies, conforme as orientações em vigor.

7. A bênção final é própria, (cf. Missal Romano, p. 520 ) e poderá ser cantada.

8. No final todos se saúdam repetindo uns aos outros as palavras: O Senhor ressuscitou realmente, aleluia! Ou outra semelhante.

9. A celebração pode terminar com uma confraternização, principalmente se houve batismo.

M. do Carmo de Oliveira e Maria de Lourdes Zavarez

 

 

> 2 - Atualizando:     A palavra de Deus na celebração: Profundamente atingidos pela luz do ressuscitado, fazemos memória dos feitos maravilhosos de Deus na história. Renovamos nossa consagração batismal e participamos da ceia, passando com Cristo, da morte para a vida. Celebramos nesta noite a páscoa em todas as suas dimensões: cósmica, histórica, batismal, eucarística, escatológica...

> 3 - A palavra de Deus na celebração:     Gn 1,1-2,2(criação); Gn 22, 1-18(sacrifício de Isaac); Êxodo 14,15-15,1(passagem do Mar Vermelho); Isaías 54,5-14renovaçào das núpcias de Javé com Israel); Isaías 55,1-11(banquete messiânico); Baruc 3,9-15.32-4,4(Israel deve voltar à fonte da sabedoria – Deus); Ezequiel 36,16-17ª.18-28(coração novo); Romanos 6,3-11(batismo: morrer e ressuscitar com Cristo); Salmo 118(117); Marcos 16,1-7(as mulheres vão ao sepulcro):

> 4 - Dicas e Sugestões:    Dicas, lembretes e sentido para esta celebração, ponto alto das festas pascais, encontram-se nas p. 175-176; 178-180 do Dia do Senhor, Ciclo Pascal ABC e um completo roteiro está nas p. 207-234. A celebração da Vigília se desenvolve em quatro importantes partes: liturgia da luz, da palavra, da água e da eucaristia. Além da cor branca e das flores, é necessário prever e organizar o espaço de acordo com os diversos momentos.

 

M. do Carmo de Oliveira e M. Lourdes Zavarez