O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

11 de novembro de 2019

TRIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM - ano C

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

TRIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO C  - 2019

1 -Aprofundando os textos bíblicos EVANGELHO Lc 20,27-38:   2 Mac 7,1-2.9-14; Salmo 16 (17); 2 Tes 2,16-3,5.

A liturgia deste domingo propõe-nos uma reflexão sobre os horizontes últimos da humanidade e garante-nos a vida que não acaba.
Na primeira leitura, temos o testemunho de sete irmãos que deram a vida pela sua fé, durante a perseguição movida contra os judeus por Antíoco IV Epifanes. Aquilo que motivou os sete irmãos mártires, que lhes deu força para enfrentar a tortura e a morte foi, precisamente, a certeza de que Deus reserva a vida eterna àqueles que, neste mundo, percorrem, com fidelidade, os seus caminhos.
A história apresenta-nos, portanto, uma família de sete irmãos e da sua mãe, que o rei pretendia coagir (através da tortura) a abandonar a fé e a comer carne de porco (proibida pela Lei, por ser carne de um animal impuro). O nosso trecho apresenta as respostas corajosas de alguns destes irmãos, preocupados mais com a fidelidade aos valores judaicos e à fé dos pais, do que com as ameaças do rei.
O que é que faz correr estes jovens? O que é que lhes dá a coragem para enfrentar as exigências dos seus algozes? De acordo com as explicações que o autor coloca na boca dos nossos heróis, é a fé na ressurreição ou, literalmente, na revivificação eterna de vida (vers. 9) que os motiva. Os sete irmãos tiveram a coragem de defender a sua fé até à morte, porque acreditavam que Deus lhes devolveria outra vez a vida, uma vida semelhante àquela que lhes ia ser tirada. O Deus criador tem, de acordo com a catequese aqui feita, o poder de ressuscitar os mártires para a vida eterna.
Não é, ainda, a noção neo-testamentária de ressurreição (uma vida nova, uma vida plena, uma vida transformada e elevada à máxima potencialidade) que aqui aparece; é apenas a ideia de uma revivificação, de um readquirir no outro mundo uma vida semelhante àquela que aqui foi roubada ao homem (embora se admitisse que, nesse mundo de Deus, já não haveria pranto, nem sofrimento, nem morte). De qualquer forma, é a ideia de imortalidade que aqui é formulada. Repare-se, no entanto, que o nosso texto ainda não ensina a revivificação de todos os homens, mas apenas dos justos (vers. 14).
É a primeira vez que a doutrina da ressurreição é explicitamente apresentada na Bíblia. A partir daqui, esta ideia vai desenvolver-se cada vez mais, até ser completamente iluminada pelo exemplo de Jesus.

No Evangelho, Jesus garante que a ressurreição é a realidade que nos espera. No entanto, não vale a pena julgar e imaginar essa realidade à luz das categorias que marcam a nossa existência finita e limitada neste mundo; a nossa existência de ressuscitados será uma existência plena, total, nova. A forma como isso acontecerá é um mistério; mas a ressurreição é uma certeza absoluta em nosso horizonte de cristãs/aos.
Na segunda leitura temos um convite a manter o diálogo e a comunhão com Deus, enquanto esperamos que chegue a segunda vinda de Cristo e a vida nova que Deus nos reserva. Só com a oração será possível mantermo-nos fiéis ao Evangelho e ter a coragem de anunciar a este nosso mundo a Boa Nova da salvação.

O evangelho de hoje demonstra as controvérsias existente entre os saduceus e Jesus. Havia uma prescrição da Lei de Moisés que dizia que uma mulher que não tinha tido filhos e que se tornara viúva devia casar com o irmão do defunto para ter um filho que seria considerado como o filho deste defunto. Os saduceus, contrariamente aos fariseus, não acreditavam na ressurreição, com o pretexto de que Jesus não lhes havia dito nada sobre isso. Então, querem apanhar Jesus em falta, a Ele que acreditava na ressurreição. Com a sua história, eles ridicularizam Jesus e a crença na ressurreição. Ora, esta ideia da ressurreição não é hoje mais evidente do que há dois mil anos. Os gregos reencontrados por São Paulo não acreditavam nisso. E hoje, os cristãos, mesmo muito praticantes, são cada vez mais numerosos a aderir à teoria da reencarnação. É verdade que nunca se viu ninguém voltar do além da morte, enquanto se fornecem quantidades de testemunhos de pessoas que dizem ter recordações de uma vida anterior. No fundo, os saduceus não seriam estranhos entre nós hoje! Reconheçamos que a ressurreição é uma realidade muito misteriosa para nós. Quando Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos, teve que usar muita pedagogia, persuasão e repreensões para os convencer de que era verdadeiramente Ele. Eles não acreditaram imediatamente! Hoje, o cerne do ensinamento de Jesus é a sua palavra: E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça-ardente, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos. Deus, o Criador, está para além do tempo. Se Ele ressuscita cada ser humano, é por um ato infinito e eterno de amor criador. Ele dá um nome único, pessoal a cada pessoa. Ele nunca poderá retomar nem suprimir este ato. Cada ser humano que vem ao mundo é verdadeiramente um pedaço de eternidade. Cada ser humano será para sempre ele e não um outro. Cada ser humano viverá para sempre, enraizado no amor eterno de Deus. Pela sua ressurreição, Jesus abriu-nos o caminho da nossa própria vida em plenitude em Deus.

 

2 - Atualizando:     Como é que termina a nossa vida? Os sonhos que procuramos concretizar, as nossas realizações mais queridas, que é que valem se nos espera um dia, inevitavelmente, a morte? Estamos condenados a deixar e a perder tudo aquilo que amamos? A nossa morte é uma viagem fatal em direção ao nada? Estas perguntas são eternas; e, há cerca de 2100 anos, um catequista de Israel já as colocava. A sua fé ditou-lhe, no entanto, a certeza de que a vida continua para além desta terra. É essa certeza que a Palavra de Deus nos deixa e é essa experiência de fé que ela nos convida a fazer.

Quem acredita na ressurreição não pode deixar-se paralisar pelo medo (muitas vezes é o medo que limita a nossa existência e nos impede de defender os valores em que acreditamos). Pode comprometer-se na luta pela justiça e pela verdade, na certeza de que as forças da morte não o podem vencer ou destruir. É essa certeza que animou o testemunho de tantos mártires de ontem e de hoje. É essa certeza que anima a minha luta e que dá força ao meu compromisso?

É, sem dúvida, inspiradora a teimosia com que estes irmãos defendem os valores em que acreditam. Num mundo em que o que é verdade de manhã, deixou de ser verdade à tarde, em que o partido dos oportunistas tem cada vez mais simpatizantes e em que todos os meios são legítimos para alcançar certos fins, o testemunho destes mártires é uma poderosa interpelação. Somos capazes de defender, com verdade e verticalidade aquilo em que acreditamos? Somos capazes de lutar, ainda que contra a corrente, pelos valores que nos parecem mais significativos e duradouros?

3 - A palavra de Deus na celebração:     "Um futuro que não tem garantia no presente é fantástico e ilusório; não pode realizar-se. Uma comunidade que não vive a salvação não poderá ser salva. Um assembleia que não antecipa hoje um amor aberto a um número cada vez maior de seres humanos e para além dos humanos, não verá a comunhão do Reino de Deus. Mas uma Eucaristia que vive, no sinal, a comunhão com Deus, saboreará um dia a alegria de estar com Ele para sempre." (pág. 1293 - Missal Dominical)

4 - Dicas e Sugestões:   Nesta semana rezamos os salmos da quarta semana da Liturgia das Horas e a cor litúrgica é verde.

M. Carmo de Oliveira e  M

 

 

 

> 2 - Atualizando:    

> 3 - A palavra de Deus na celebração:     EVANGELHO Lc 20,27-38: 2 Mac 7,1-2.9-14; Salmo 16 (17); 2 Tes 2,16-3,5.

> 4 - Dicas e Sugestões: