O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

23 de junho de 2019

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

Décimo segundo domingo do Tempo Comum – Ano C

 

1-Aprofundando os textos bíblicos: Leituras: Zc 12,10-11;13,1     Salmo 63(62)  Gl 3,26-29    Lc 9,18-24

 

Numa sociedade profundamente dividida, Paulo anuncia, na carta aos Gálatas, uma novidade: acabaram-se as gradações, ninguém é superior nem inferior, todos são iguais no amor de Cristo e devem manifestar essa igualdade no tratamento que dão uns aos outros. Exemplifica com algumas divisões sérias da cultura da época: não há mais diferença de valor entre judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher... Em dois mil anos de cristianismo, continua sendo revolucionário esse anúncio de Paulo. Caberia fazer um profundo exame de consciência para ver se não estamos muitas vezes querendo que algumas pessoas “conheçam o seu lugar, esquecendo que o único lugar que o outro pode ocupar na vida de um cristão é o de irmão, companheiro, filho de Deus.

Se há uma igualdade fundamental entre todas as pessoas, amadas por Deus com o mesmo amor, entre cristãos um laço comum de grande importância sublinha o valor que precisamos reconhecer uns nos outros: somos todos batizados, todos chamados a ser presença de Cristo no mundo. Isso vale para leigos, religiosos e ministros ordenados, dentro da nossa Igreja. Vale também para nossos irmãos de outras Igrejas: anglicanos, luteranos, metodistas, batistas, presbiterianos, ortodoxos e tantas outras denominações de gente que pertence, como nós, à grande Igreja de Jesus. Muitos católicos não sabem, mas a nossa Igreja reconhece a validade do batismo de muitas Igrejas evangélicas. São cristãos como nós, devem ser parceiros e não competidores. (Se for conveniente, o pregador pode consultar o Código de Direito Canônico, a respeito das Igrejas cujo batismo é considerado válido, e citar especialmente as Igrejas mais presentes no local).

Seria muito triste se trouxéssemos, justamente para dentro da Igreja de Jesus, os critérios da competição, da vontade de passar à frente dos outros, da vaidade e da fome de poder, que tanto atrapalham o desenvolvimento da fraternidade.

 

Para entender o que significa a igualdade de irmãos no projeto cristão, teríamos que saber responder àquela pergunta que Jesus fez a Pedro: E para vocês, quem sou eu? Pedro responde: “Tu és o Cristo de Deus”. Está certo. Mas o espantoso é que esse Cristo de Deus estava ali, no meio dos simples, ensinando com suas palavras e com sua vida que todas as pessoas são preciosas para Deus. Foi por todos, e não por alguns mais sabidos ou mais santos, que ele aceitou entregar a vida. Se ele é o Cristo de Deus e para ele somos iguais, só podemos segui-lo se formos iguais uns para os outros, no valor, na dignidade, na importância, respeitando as diferenças que enriquecem o relacionamento mas não dão a ninguém o direito de se considerar superior.

 

Se os relacionamentos humanos estivessem todos livres de pecado, seria bem mais fácil: seria só manter a igualdade, a justiça, a paz - tudo funcionando, com cuidado para não deixar o mal entrar. Seria mero trabalho de manutenção. Mas faz tempo que a vida está contaminada e, agora, para consertar, é penoso, aparecem barreiras que precisam ser vencidas com sacrifício e coragem. Foi por isso que Jesus precisou enfrentar a morte, antes de mostrar a vitória da ressurreição. Não é gosto de sofrer, nem sadismo de Deus. É o modelo do caminho que todo mundo tem que percorrer se quiser deixar o mundo melhor. Não se faz isso passeando no parque. De um jeito ou de outro, qualquer pessoa que queira construir coisa boa num mundo errado vai ter que fazer algum tipo de sacrifício.

 

Jesus sabe que temos sempre medo de perder. Fala de um jeito diferente, importantíssimo, de ganhar: “quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; quem sacrificar sua vida por mim, vai salvá-la”. Ele fala de vida eterna, desse encontro com Deus onde nenhuma boa obra deixa de ser reconhecida. Mas as recompensas de entregar a vida pela causa do evangelho não ficam só guardadas para o além. Aqui mesmo, na realidade do nosso dia-a-dia, saber que estamos a serviço do projeto de Deus tem vantagens, apesar de exigir muito de nós: o Senhor da Vida nos garante a sua graça, nos dá por companheiros todos os homens e mulheres de boa vontade que querem construir o bem, nos dá uma razão para viver num mundo onde tantos se perdem no caos. Com Ele, nada se perde: tendo ou não tendo sucesso, tudo de bom que fazemos está guardado no coração de Deus. Não há cofre mais seguro.

 

2-Atualizando: O reconhecimento da igualdade básica de todos os filhos de Deus é parte fundamental do anúncio do evangelho.

O batismo, validamente reconhecido também quando acontece em outras Igrejas, é a base da busca da unidade entre os cristãos.

Quem reconhece em Jesus o Cristo de Deus está comprometido com seu projeto de igualdade e fraternidade.

Depois que o pecado estragou a vida, todo conserto exige sacrifício.

Apesar dos sacrifícios, estar a serviço do projeto de Deus dá alegrias, na vida eterna, e também aqui neste mundo.

 

3-A palavra de Deus na celebração: Recordamos neste domingo a Páscoa do Senhor que passou pela cruz e celebramos a vitória de seu Amor, que hoje acontece nos fatos comuns de nossa vida, de nossa caminhada, em que a cruz continua muito presente.

Hoje, Ele nos convida a assumir com Ele o projeto de igualdade e fraternidade, que exige doação e entrega cotidianas e passa necessariamente pela cruz. Conforme Lucas, a cruz está em nossa tomada de posição diária e tem, na cruz de Jesus, a garantia de vida plena e feliz para quem a abraça com fidelidade e Amor.

Que o Espírito de Jesus nos anime a viver no dia-a-dia a opção de segui-lo aonde quer que seja, que renovamos nesta celebração

 

4-Dicas e sugestões:

1.           Valorizar os símbolos da cruz e da água nos vários momentos da celebração. Começar cantando ou fazendo, com atitude nova, o sinal da cruz, no início na celebração.

2.           Após o canto do Salmo, fazer um instante de silêncio para interiorizá-lo. O mesmo se faça após cada leitura proclamada.

3.           A proclamação do Evangelho poderá ser dialogada ou cantada. Repetir com a assembleia os três últimos versículos, enquanto alguém ergue a cruz ou percorre com ela a assembleia.

4.           Dar um destaque especial à profissão de fé, se possível, seguida da aspersão com água, lembrando o batismo.

5.           A 2ª leitura nos sugere unidade e abertura ecumênicas que deveriam nos acompanhar como cristãos batizados em Cristo. Salientar esta dimensão de nossa fé cristã, principalmente no momento das preces, na Oração Eucarística e no Pai Nosso.

6.           O prefácio indicado para este domingo é o do Tempo Comum VIII - que expressa a unidade pelo Sangue de Cristo, caso a Oração Eucarística escolhida não tenha prefácio próprio.

7.           Escolher para a Comunhão canto que retome o conteúdo do Evangelho, estabelecendo unidade entre o Pão da Palavra e o Pão Eucarístico - o mesmo Pão da Vida, que nos sacia e alimenta. O Hinário III da CNBB, apresenta sugestões adequadas para cada domingo. É bom aproveitá-las.

8.           A bênção final poderá ser feita com a Cruz ou com ela erguida diante da assembleia.

 

 

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