O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

14 de abril de 2017

SEXTA-FEIRA SANTA - : PÁSCOA DA PAIXÃO DO SENHOR JESUS

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

 

 

SEXTA-FEIRA SANTA: PÁSCOA DA PAIXÃO DO SENHOR JESUS                

1- Aprofundando os textos bíblicos: João 18,1-19,42 – Isaias 52,13-53,12 – Salmo 31(30) – Hebreus 4,14-16;5,7-9: A narrativa da paixão aparece nos quatro evangelhos. É uma narrativa tecida de frases isoladas, num relato contínuo quase contemporâneo à 1ª pregação. É provável que a primeira proclamação do Evangelho consistisse apenas na narração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. A paixão é proclamada, não simplesmente narrada; é o evento central da história da salvação, o clímax e cumprimento da ação salvífica e julgadora de Deus; ela faz compreender a Lei e os Profetas, por isso há várias referências ao AT. O próprio Jesus apresenta a sua paixão como meta de seu ensino e sua vida. Em João, a paixão é o momento da glorificação do Filho de Deus. Na prisão de Jesus, o quarto evangelho coloca Judas acompanhado por um destacamento da guarda romana, mas omite o beijo da traição; mostra a liberdade e independência de Jesus, que interroga e responde aos que vieram prendê-lo. A expressão “Sou Eu” é uma alusão à grande revelação do Sinai: “Eu sou quem serei” (Ex 3,14-16). Jesus se revela nesta resposta e se torna temível aos que representam o poder diabólico. Jesus recebe bofetada não por zombaria e gozação ao seu poder profético, como nos outros evangelhos, mas devido a sua resposta corajosa e verdadeira ao Sumo Sacerdote. O texto de Isaías e o Salmo trazem um retrato do próprio Jesus, humilde e mísero servo, vítima dos poderosos. Abandonado, entrega-se ao Pai, colocando nele toda sua confiança. Deus fará com que Ele veja a luz, triunfará e resgatará a humanidade.

2-Atualizando: Hoje vamos nos unir a toda pessoa que vive na servidão, paixão e morte; rezar em comunhão com tantos excluídos da sociedade, perseguidos  por causa da justiça, marcados para morrer.

3- A palavra de Deus na celebração: Unimos nossos passos à caminhada da paixão do Senhor até sua morte na cruz. Contemplando e adorando o Crucificado, elevamos nossa oração por toda a humanidade resgatada pelo seu sangue redentor. Comungando de seu corpo, passamos do pecado para a vida que jorra da cruz e recebemos força para, no dia-a-dia, vencer a morte e viver a alegria da ressurreição.

4- Dicas e sugestões: (vermelho) :

O clima de profundo silêncio e o ambiente despojado expressam a dor e o luto da comunidade: o altar fica sem toalhas, sem flores e sem candelabros; a cor das vestes é vermelha, sinal do martírio, do sangue derramado na cruz. Onde for possível, colocar no ambiente da celebração fotos os cartazes de nossos mártires da América Latina. Com Jesus, eles entregaram a vida pela VIDA.

  1. Seguindo uma antiga tradição, não se celebra hoje a Eucaristia. Comungam-se as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.
  2. A celebração é organizada em quatro momentos: liturgia da palavra, oração universal, adoração da cruz e comunhão. Considerando mais lógica a seqüência, algumas comunidades, fazem primeiro a entrada solene da cruz e diante dela erguida no centro da Igreja, é feita a oração universal.
  3. A celebração começa com a assembléia de joelhos ou mesmo prostrada, e em profundo silêncio. Quem preside se prostra no chão, em sinal de humilhação e identificação com Cristo. Um refrão meditativo pode acompanhar este momento: “ Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós”. Ou “ Vidas pela Vida/ vidas pelo Reino(bis). Todas as nossas vidas/  e as suas vidas /na vida d´Ele: o Mártir, Jesus.” Depois todos se levantam para a oração da coleta.
  4. Segue-se a proclamação das leituras.

Cuidar para que, sobretudo a 1ª leitura seja proclamada, respeitando seu estilo poético. Há uma bonita versão popular do Canto do Servo Sofredor, feita pela Ir. Agostinha Vieira de Melo, OSB que pode ser cantada com a melodia de “Funeral de um lavrador” da peça “Morte e Vida Severina”.  Canto do Servo Sofredor em forma de poesia popular, letra de Irmã Agostinha Vieira de Melo, OSB, com a melodia de “Funeral de um Lavrador”, da peça “Morte e Vida Severina”.

1 -  Vou contar uma história.

É do Servo Sofredor.

Está na Bíblia, está na vida.

É de quem sabe o que é dor.

2-O profeta Isaías

Foi quem primeiro contou.

Mas o pobre deste mundo

Vida afora completou.

3. A cantiga do profeta

nos aponta e nos conduz.

Esse Servo de quem fala

É Nosso Senhor Jesus.

4. Quem já viu o que é seca

Já viu roçado queimado,

Pois o Servo era um toco

Pelo sol esturricado.

5. Não havia formosura

no seu rosto maltratado,

tinha a cara tão sofrida

de quem foi bem torturado.

6. Dava até nojo de olhar.

Era um lixo bem pisado,

Era o Homem das Dores,

Na dor experimentado.

7. Acredite, meu amigo,

Esse Servo humilhado

Assumiu nossas fraquezas,

Carregou fardo pesado.

8. Ferido de humilhação

Era desconsiderado.

Zombavam: “Isso é castigo,

Foi por Deus abandonado!”

9. O peso de dor tão grande

Era um facão bem fincado.

Por nossos pecados todos

Ele estava traspassado.

10. Mas, irmão, escute agora

O que vai ser relatado.

O sofrer desse oprimido

Cura o homem esmagado.

11. Antes dele a gente era

Um rebanho desgarrado.

Cada qual andava tonto

Sem rumo, desgovernado.

12. A ingratidão dos homens,

O montão do que é errado,

Pois tomou tudo para ele

Como se fosse o culpado.

13. Comparado com a gado,

Pra matança foi levado,

A bezerro parecia

Quando o couro é esfolado.

14. Apelaram pra calúnia,

O seu caso foi falado

Por um falso julgamento

À morte foi condenado.

15. Ninguém levantou a voz

Em defesa do acusado.

Deu a vida por seu povo,

Foi assim assassinado.

16. Teve enterro de bandido,

Malfeitor considerado,

Ele que só fez o bem,

Verdadeiro injustiçado.

17. Esse sofredor bendito

Na paixão foi bem provado.

O amor que tinha ao povo

Foi o seu santo recado.

18. Esse recado tão forte

Pelo profeta contado

É hoje na nossa vida

Um fato consumado.

19. Outro nome desse Servo

É Cordeiro Imaculado.

Veio nos trazer a vida,

Quer seu povo libertado.

20. Agora, irmão, procura

Enxergar modificado

Quem conta pouco na vida

Em primeiro é colocado.

21. Dessa conta diferente

Foi Jesus encarregado.

Ele revirou a lista:

Pequeno vale um bocado.

22. E o povo tão sofrido

No Evangelho é confirmado.

Os pequeninos do Reino

Povo de Deus é chamado.

23. A comparação tão linda

Do banquete preparado

É dos coxos, é dos cegos,

De quem sofre é o ajantarado.

24. Quando os fracos se ajuntam

Um clamor é proclamado:

“O sangue desse Cordeiro

Não foi em vão derramado!”

25. Toda a espécie de miséria     

De que o povo é carregado.

Terra nova anuncia UM POVO RESSUSCITADO!

 

 

( in. MESTERS, C.  A missão do povo que sofre, Vozes, 1981, pp 175-17. Vejam no Dia do Senhor, Ciclo Pascal, ABC, p.190-206.)

 

                                               M. Lourdes Zavarez e M. Carmo de Oliveira

 

> 2 - Atualizando:     SEXTA-FEIRA SANTA: PÁSCOA DA PAIXÃO DO SENHOR JESUS João 18,1-19,42 – Isaias 52,13-53,12 – Salmo 31(30) – Hebreus 4,14-16;5,7-9: Hoje vamos nos unir a toda pessoa que vive na servidão, paixão e morte; rezar em comunhão com tantos excluídos da sociedade, perseguidos por causa da justiça, marcados para morr Unimos nossos passos à caminhada da paixão do Senhor até sua morte na cruz. Contemplando e adorando o Crucificado, elevamos nossa oração por toda a humanidade resgatada pelo seu sangue redentor. Comungando de seu corpo, passamos do pecado para a vida que jorra da cruz e recebemos força para, no dia-a-dia, vencer a morte e viver a alegria da ressurreição.

> 3 - A palavra de Deus na celebração:     SEXTA-FEIRA SANTA: PÁSCOA DA PAIXÃO DO SENHOR JESUS João 18,1-19,42 – Isaias 52,13-53,12 – Salmo 31(30) – Hebreus 4,14-16;5,7-9: A narrativa da paixão aparece nos quatro evangelhos. É uma narrativa tecida de frases isoladas, num relato contínuo quase contemporâneo à 1ª pregação. É provável que a primeira proclamação do Evangelho consistisse apenas na narração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. A paixão é proclamada, não simplesmente narrada; é o evento central da história da salvação, o clímax e cumprimento da ação salvífica e julgadora de Deus; ela faz compreender a Lei e os Profetas, por isso há várias referências ao AT. O próprio Jesus apresenta a sua paixão como meta de seu ensino e sua vida. Em João, a paixão é o momento da glorificação do Filho de Deus. Na prisão de Jesus, o quarto evangelho coloca Judas acompanhado por um destacamento da guarda romana, mas omite o beijo da traição; mostra a liberdade e independência de Jesus, que interroga e responde aos que vieram prendê-lo. A expressão “Sou Eu” é uma alusão à grande revelação do Sinai: “Eu sou quem serei” (Ex 3,14-16). Jesus se revela nesta resposta e se torna temível aos que representam o poder diabólico. Jesus recebe bofetada não por zombaria e gozação ao seu poder profético, como nos outros evangelhos, mas devido a sua resposta corajosa e verdadeira ao Sumo Sacerdote. O texto de Isaías e o Salmo trazem um retrato do próprio Jesus, humilde e mísero servo, vítima dos poderosos. Abandonado, entrega-se ao Pai, colocando nele toda sua confiança. Deus fará com que Ele veja a luz, triunfará e resgatará a humanidade.

> 4 - Dicas e Sugestões:    (Sexta-feira Santa, cor vermelha) : O clima de profundo silêncio e o ambiente despojado expressam a dor e o luto da comunidade: o altar fica sem toalhas, sem flores e sem candelabros; a cor das vestes é vermelha, sinal do martírio, do sangue derramado na cruz. Onde for possível, colocar no ambiente da celebração fotos os cartazes de nossos mártires da América Latina. Com Jesus, eles entregaram a vida pela VIDA. 1- Seguindo uma antiga tradição, não se celebra hoje a Eucaristia. Comungam-se as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa. 2- A celebração é organizada em quatro momentos: liturgia da palavra, oração universal, adoração da cruz e comunhão. Considerando mais lógica a seqüência, algumas comunidades, fazem primeiro a entrada solene da cruz e diante dela erguida no centro da Igreja, é feita a oração universal. 3- A celebração começa com a assembléia de joelhos ou mesmo prostrada, e em profundo silêncio. Quem preside se prostra no chão, em sinal de humilhação e identificação com Cristo. Um refrão meditativo pode acompanhar este momento: “ Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós”. Ou “ Vidas pela Vida/ vidas pelo Reino(bis). Todas as nossas vidas/ e as suas vidas /na vida d´Ele: o Mártir, Jesus.” Depois todos se levantam para a oração da coleta. 4- Segue-se a proclamação das leituras. Cuidar para que, sobretudo a 1ª leitura seja proclamada, respeitando seu estilo poético. Há uma bonita versão popular do Canto do Servo Sofredor, feita pela Ir. Agostinha Vieira de Melo, OSB que pode ser cantada com a melodia de “Funeral de um lavrador” da peça “Morte e Vida Severina”. Canto do Servo Sofredor em forma de poesia popular, letra de Irmã Agostinha Vieira de Melo, OSB, com a melodia de “Funeral de um Lavrador”, da peça “Morte e Vida Severina”. 1 - Vou contar uma história. É do Servo Sofredor. Está na Bíblia, está na vida. É de quem sabe o que é dor. 2-O profeta Isaías Foi quem primeiro contou. Mas o pobre deste mundo Vida afora completou. 3. A cantiga do profeta nos aponta e nos conduz. Esse Servo de quem fala É Nosso Senhor Jesus. 4. Quem já viu o que é seca Já viu roçado queimado, Pois o Servo era um toco Pelo sol esturricado. 5. Não havia formosura no seu rosto maltratado, tinha a cara tão sofrida de quem foi bem torturado. 6. Dava até nojo de olhar. Era um lixo bem pisado, Era o Homem das Dores, Na dor experimentado. 7. Acredite, meu amigo, Esse Servo humilhado Assumiu nossas fraquezas, Carregou fardo pesado. 8. Ferido de humilhação Era desconsiderado. Zombavam: “Isso é castigo, Foi por Deus abandonado!” 9. O peso de dor tão grande Era um facão bem fincado. Por nossos pecados todos Ele estava traspassado. 10. Mas, irmão, escute agora O que vai ser relatado. O sofrer desse oprimido Cura o homem esmagado. 11. Antes dele a gente era Um rebanho desgarrado. Cada qual andava tonto Sem rumo, desgovernado. 12. A ingratidão dos homens, O montão do que é errado, Pois tomou tudo para ele Como se fosse o culpado. 13. Comparado com a gado, Pra matança foi levado, A bezerro parecia Quando o couro é esfolado. 14. Apelaram pra calúnia, O seu caso foi falado Por um falso julgamento À morte foi condenado. 15. Ninguém levantou a voz Em defesa do acusado. Deu a vida por seu povo, Foi assim assassinado. 16. Teve enterro de bandido, Malfeitor considerado, Ele que só fez o bem, Verdadeiro injustiçado. 17. Esse sofredor bendito Na paixão foi bem provado. O amor que tinha ao povo Foi o seu santo recado. 18. Esse recado tão forte Pelo profeta contado É hoje na nossa vida Um fato consumado. 19. Outro nome desse Servo É Cordeiro Imaculado. Veio nos trazer a vida, Quer seu povo libertado. 20. Agora, irmão, procura Enxergar modificado Quem conta pouco na vida Em primeiro é colocado. 21. Dessa conta diferente Foi Jesus encarregado. Ele revirou a lista: Pequeno vale um bocado. 22. E o povo tão sofrido No Evangelho é confirmado. Os pequeninos do Reino Povo de Deus é chamado. 23. A comparação tão linda Do banquete preparado É dos coxos, é dos cegos, De quem sofre é o ajantarado. 24. Quando os fracos se ajuntam Um clamor é proclamado: “O sangue desse Cordeiro Não foi em vão derramado!” 25. Toda a espécie de miséria De que o povo é carregado. Terra nova anuncia UM POVO RESSUSCITADO! ( in. MESTERS, C. A missão do povo que sofre, Vozes, 1981, pp 175-17. Vejam no Dia do Senhor, Ciclo Pascal, ABC, p.190-206.)

 

M. Lourdes Zavarez e M. Carmo de Oliveira