O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

19 de fevereiro de 2017

Sétimo domingo do TC - ano A

Imprimir Voltar

1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

SÉTIMO Domingo do Tempo Comum/ Ano A

Violência e resistência

Palavra de Deus para este domingo:

1ª Leitura: Lv 19,1-2.17-18
Sl 102 (103) – Refrão: 1a e 8 b
2ª Leitura: 1Cor 3,16-23
Evangelho: Mt 5, 38-48  - “AMAI OS VOSSOS INIMIGOS”


Ser bom como Deus: amar de graça


Jesus não veio para facilitar nossa vida, mas para nos tomar semelhantes a Deus, mesmo se ficamos sempre devendo e sabemos que, por nossa própria força, nunca chegaremos a isso. Também não é uma questão de esforço, mas de amor e de graça. Uma vez conscientes de que Deus nos ama de graça (cf. Rm 5,6-8 e 1104,10.19), já não vamos achar estranho amar de graça os que não nos amam (mesmo se devemos combatê-los quando oprimem os mais fracos … ). Se entendermos o amor gratuito, não vamos achar absurdo convidar os que não nos podem retribuir (cf. Lc 14,12-14). O amor de Deus é criador: cria uma situação nova, que não existia antes. Quando nos sabemos envolvidos nesse amor paterno criador e gratuito, seremos capazes de imitá-lo um pouco. Seremos, não por nosso esforço, mas por saber-nos amados, realmente os seus filhos. E almejaremos o dia em que a morte porá fim às nossas incoerências, para que Ele nos acolha plena e definitivamente.
Na 1ª leitura, encontramos juntos, já no Antigo Testamento, os mandamentos de não guardar rancor e do amor ao próximo (Lv 19,17-18; cf. Lv 19,35, o amor ao estrangeiro). Todos esses mandamentos se baseiam na mesma verdade: todas as pessoas são filhos do mesmo Pai. Poderíamos acrescentar o amor ao insignificante, ao pobre, ao marginal, amor este que serve de critério para ver se a nossa vida é compatível com a eterna companhia de Deus, nosso Pai (Mt 25,31-46).
A liturgia de hoje supõe, portanto, que estejamos imbuídos da consciência filial com relação a Deus. “Bendize, ó minha alma, o Senhor, e jamais te esquece de todos os seus benefícios” (salmo responsorial).
Na 2ª leitura continua a polêmica de Paulo com a sabedoria do mundo, por ocasião da divisão que a vanglória, o partidarismo e outras atitudes demasiadamente humanas causaram na comunidade de Corinto. Tal divisão é o contrário daquilo que o evangelho ensina. Reconhecendo o evangelho como única sabedoria válida, devemos dizer, com Paulo, que os critérios humanos são loucura diante de Deus. Paulo ironiza os coríntios, dos quais uns diziam: “Eu sou de Paulo”, ou “de Apolo”, “de Cefas” ou até “de Cristo” … “Ainda bem que quase não batizei ninguém”, observa Paulo, brincando (lCor 1,14). E mais adiante conclui: “Todos nós, apóstolos, somos vossos; e não só nós, toda a realidade da criação é vossa … mas vós sois de Cristo, e Cristo de Deus” (3,21-23). Hoje ouvimos: “Eu sou de tal movimento, de tal ‘teologia’, de tal tradição”. Mas não faz diferença: somos de Cristo, e Cristo, de Deus. Por isso devemos ser como Cristo e como Deus. Isto, porém, não o conseguiremos por um vaidoso esforço de nossa vontade, mas somente se nos deixarmos envolver no amor gratuito que Deus nos testemunhou em Jesus, dado por nós até o fim.
O prefácio dos domingos do tempo comum VII focaliza o amor gratuito de Deus para conosco. Os cantos (entrada, meditação, comunhão opção I) expressam louvor e gratidão por este amor de Deus. A oração do dia nos suscita o desejo de nos conformarmos com ele.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

 

 

> 2 - Atualizando:     O evangelho de hoje continua com a interpretação da Lei que Jesus propõe no Sermão da Montanha (cf. dom. passado). Jesus supera a justiça do A.T., que se guiava pela lei do “talião” (do “tal qual”), “olho por olho, dente por dente” (uma maneira de refrear a vingança ilimitada). A posição de Jesus parece compreensível, pois pagando o mal com o mal nunca se sai do statu quo, da violência, da vingança. Mas o que Jesus quer é mais do que isso: dar mais do que nos é pedido e até amar os inimigos. Como é que se pode gostar de quem não se gosta? Novamente, Jesus não pergunta se é possível. Só diz que deve ser assim, pois Deus é assim mesmo! Deus faz o sol surgir sobre bons e maus e a chuva descer sobre justos e injustos. Pois todos são os seus filhos. “Mas, dirá alguém, eu não sou Deus”. E a resposta de Jesus: “Não és Deus, mas procura ser como ele: perfeito como teu Pai celeste é perfeito; então, serás realmente seu filho!”

> 3 - A palavra de Deus na celebração:     Palavra de Deus para este domingo: 1ª Leitura: Lv 19,1-2.17-18 Sl 102 (103) – Refrão: 1a e 8 b 2ª Leitura: 1Cor 3,16-23 Evangelho: Mt 5, 38-48 - “AMAI OS VOSSOS INIMIGOS” -* 38 «Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39 Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! 40 Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! 41 Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele! 42 Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado.» Amar como o Pai ama -* 43 «Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ 44 Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! 45 Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. 46 Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47 E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48 Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.» ________________________________________ * 38-42: Como se pode superar a vingança ou até mesmo a «justa» punição? O Evangelho propõe atitude nova, a fim de eliminar pela raiz o círculo infernal da violência: a resistência ao inimigo não deve ser feita com as mesmas armas usadas por ele, mas através de comportamento que o desarme. * 43-48: O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para além das fronteiras que os homens costumam construir. Amar o inimigo é entrar em relação concreta com aquele que também é amado por Deus, mas que se apresenta como problema para mim. Os conflitos também são uma tarefa do amor. O v. 48 é a conclusão e a chave para se compreender todo o conjunto formado por 5,17-47: os discípulos são convidados a um comportamento que os torne filhos testemunhando a justiça do Pai.

> 4 - Dicas e Sugestões:    Poderá ajudar muito a nossa preparação para a liturgia do sétimo domingo do tempo comum do ano A, os \"Roteiros homiléticos\", Anos A, B, C, festas e solenidades, do Pe. José Bortolini, Editora Paulus, páginas 150-153.

 

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Edi