O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

14 de abril de 2019

Domingo de RAMOS, QUINTA-FEIRA SANTA, SEXTA-FEIRA SANTA

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

14/04/2019

 

1-Aprofundando os textos bíblicos: Lucas 19,28-40; Isaías 50,4-7; Salmo 22(21); Filipenses 2,6-11; Lc 22,14-23,56(ou Lc 23,1-49):

A atitude de Jesus ao montar um jumentinho, é sinal do projeto/serviço: “teu rei está chegando...humilde, cavalgando um jumento” (Zc 9,9). O protesto (v.39) dos fariseus pode ser oposição a Jesus ou medo dos romanos. Jesus responde baseado ou em Is 52,9: “Explodi, soltai aclamações, todas juntas, ruínas de Jerusalém”. O grito das pedras é triunfal! Ou em Hab 2,11, onde o grito é de acusação: “As pedras das paredes gritarão reclamando”. A entrada de Jesus em Jerusalém ocorreu provavelmente na época da Festa das Tendas, quando o povo levava ramos nas mãos, significando a esperança messiânica: (Lv 23,39-41) quatro espécies de plantas - uma cidra, ramo de tamareira, de murta e de salgueiro. Com os ramos na mão direita e a cidra na esquerda, rezam uma bênção (Hoshaná) e movimentam os ramos para leste, sul, oeste e norte, para cima e para baixo. Lucas evita a palavra semita “hosana” e acrescenta a palavra rei.

O trecho de Lucas 22, 14-23,56, escrito para os cristãos perseguidos, apresenta Jesus como modelo para o mártir/testemunha, que sofre, luta, morre, vence e vive. Jesus é o servo de Deus fiel, o justo que assumiu radicalmente as exigências de sua missão. Jesus é o exemplo para todos os que o desejam caminhar da injustiça à justiça, da escravidão à libertação, da miséria humana à experiência da misericórdia divina, das trevas à luz, do sofrimento à glória, da morte à vida.

O relato da paixão vem acompanhado do terceiro cântico do Servo, em Isaías 50, 4-7. O Senhor faz com que o enviado tenha os ouvidos bem abertos para ouvir os lamentos e clamores dos que estão abatidos. Os maus tratos que recebe por cumprir sua missão não o desviam dela; ele não recua, porque sabe que o Senhor o apoia e não se sente humilhado, mas tem a cabeça erguida e confiante. Jesus é o servo de Deus fiel, o justo que assumiu radicalmente as exigências de sua missão de consolar e libertar. Seus sofrimentos não o amedrontam. O Pai está com ele.

No Salmo 21(22) predomina a súplica individual de uma pessoa que enfrenta terrível conflito com poderosos inimigos. A sua vida está ameaçada. Sua última esperança é o Senhor, que parece estar ausente.

A carta de Paulo nos traz um hino cristológico. Seu tema central é a humildade e a disponibilidade do serviço do Messias Jesus. Ele não quis se beneficiar de privilégios de ser filho de Deus, mas esvaziou-se para tornar-se um de nós, como nós. E nós somos convidados a termos os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.

2- Atualizando: Diante da cruz do justo que morre, de que lado ficamos: dos que dão sua vida pelo projeto de Deus, ou dos que se juntam para suprimir a justiça, como fizeram Pilatos e Herodes?

3- A palavra de Deus na celebração: Fervorosos, caminhamos em procissão, com nossos ramos nas mãos, aclamando Cristo, Senhor da Vida e da História e renovando nossa adesão ao seu projeto. Participamos do mistério de seu despojamento e de sua glorificação pela Palavra e pela Ceia Eucarística, aceitando que a páscoa se realize em nossa vida.

4- Dicas e sugestões: No Dia do Senhor Ciclo Pascal, há duas alternativas de roteiro: um destacando a entrada de Jesus em Jerusalém como memória central deste domingo (p.153) e outro incluindo a leitura da Paixão(p.162).

 

5ª Feira – Santa, 18/04/2019

 

1-Aprofundando os textos bíblicos (Ceia do Senhor): Êxodo 12,1-8.11-14; Salmo 116B(115); 1 Coríntios 11,23-26; João 13,1-15: – Com o lava-pés, o evangelho de João apresenta um novo sentido de eucaristia, diferente dos sinóticos e Paulo que narram a instituição. Na ceia pascal, Jesus realiza ações que deverão ser normas para a comunidade: despoja-se do manto e pega o avental. Quem fazia o serviço de lavar as mãos eram subalternos e mulheres. Jesus vai além e lava os pés. É o Senhor que se torna servo, para dar testemunho do amor que é serviço. O maior gesto eucarístico que Jesus nos deixou como exemplo e missão é comprometer-se com uma nova história, que se constrói a partir da gratuidade do AMOR-SERVIÇO. Na origem, a páscoa era festa de pastores, celebrando o nascimento das ovelhas, na primavera. Na saída da escravidão do Egito foi adaptada e passou a ser festa histórica da libertação. A páscoa marca o início de vida nova, um novo tempo de libertação, vitória sobre o poder opressor. A segunda leitura é o primeiro texto do NT que trata da eucaristia, celebrada dentro da comunidade de Corinto, com todos os problemas e divisões entre ricos e pobres. Era memória que atualizava a partilha de vida do Senhor, “até que Ele volte”: o que é memória é também esperança, projetada para a parusia.

O Salmo nos garante que nosso Deus ouve a voz suplicante, inclina o ouvido, salva e liberta. Nosso Deus é o Deus do Êxodo e da Aliança, é o Deus da vida!

2. Atualizando: A eucaristia celebrada por Jesus com discípulas e discípulos, é anúncio de que a salvação e a libertação só são possíveis no amor. Viver a eucaristia é ser capaz de trocar o poder pelo avental; o “mistério da fé” é entregar a vida totalmente, como Jesus fez. Somos pessoas eucarísticas?

3- A palavra de Deus na celebração: Bendizemos ao Pai que em Jesus amou-nos até o fim, libertando-nos da escravidão. Aceitamos que o Senhor nos lave os pés e acolhemos o novo mandamento, dispondo-nos doar a vida pelos irmãos. Selando a nova e eterna aliança, participamos de sua ceia, comendo seu corpo e bebendo seu sangue doados.

4- Dicas e sugestões: Roteiro e sentido dos vários elementos simbólicos desta celebração, que inicia o tríduo pascal, encontram-se no Dia do Senhor Ciclo Pascal ABC, p. 177 e 181-189.

 

Sexta-Feira  Santa:

Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado - 19/04/2019

1-Aprofundando os textos bíblicos: Isaías 52,13-53,12; Salmo 31(30); Hebreus 4,14-16; 5,7-9; João 18, 1-19,42: Os temas fundamentais da paixão narrada por João são os seguintes: a) Jesus é o doador da vida nova; b) a hora de Jesus é a morte e é o último sinal do Ev. de João; c) Jesus é o verdadeiro rei que dá testemunho da verdade, fidelidade de Deus ao seu projeto. d) Jesus é o Cordeiro de Deus; ele morre na hora em que os cordeiros eram imolados no templo. O trecho de Isaías é chamado de 4º canto do Servo, que carrega os pecados de toda a humanidade. É difícil identificar o Servo, mas o conteúdo é muito claro: contrariando a teologia da retribuição, (cada um recebe a troca do bem ou do mal que cometeu) esse Servo inocente sofre, é condenado, morre e torna a viver glorioso; os culpados não. É crítica à doutrina da retribuição e destaca o valor da entrega da vida em redenção de outros. Em tudo isso se manifesta “o braço do Senhor” (53,1), solidário com os sofredores e excluídos, intervém para glorificá-los.  O texto de Hebreus, escrito pelo ano 80, não é uma carta, mas um discurso sobre o sacerdócio do Servo Jesus. Ele abriu o caminho de acesso a Deus, derramando o seu próprio sangue. Jesus é o único mediador entre Deus e a humanidade.

O salmo que rezamos hoje é de súplica individual, em uma situação de grave dificuldade. É clamor ao Senhor. O justo caiu na armadilha dos injustos; está nas mãos do inimigo que o oprime e lhe causa dor, provoca gemidos e lhe impede de reagir. Na cruz Jesus rezou este salmo. E Deus se mostra como aliado fiel que não falha no momento de aperto. É bom rezar este salmo em comunhão com tantos crucificados, perseguidos e marcados para morrer em nosso tempo.

2. Atualizando: Hoje é dia de jejum e abstinência para nos unirmos a tantos crucificados de hoje. Qual tem sido nossa fidelidade a vida, ação, paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo?

3- A palavra de Deus na celebração: Unimos nossos passos à caminhada da paixão do Senhor até à sua morte na cruz. Contemplando e adorando o Crucificado, elevamos nossa oração por toda a humanidade resgatada pelo seu sangue redentor. Comungando de seu corpo, passamos do pecado para a vida nova que jorra da cruz e recebemos força para, no dia-a-dia, vencer a morte e viver a alegria da ressurreição.

4- Dicas para a celebração: Roteiro, sentido e lembretes para esta celebração encontram-se no Dia do Senhor, Ciclo Pascal ABC, p. 174-175 e 178 e um roteiro bem detalhado está nas p. 190-206.

 

 

 

 

 

> 2 - Atualizando:    

> 3 - A palavra de Deus na celebração:    

> 4 - Dicas e Sugestões:   

 

M. do Carmo de Oliveira e M. Lourdes Zavarez