O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

A PALAVRA DE DEUS NO DIA DO SENHOR

2 de fevereiro de 2018

Festa da Apresentação do Senhor - 2 de fevereiro

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1 -Aprofundando os textos bíblicos:     

Festa da Apresentação do Senhor - 2 de fevereiro
Ml 3,1-4       Hb 2, 14-18           Lc 2, 22-40

Diante do menino: um futuro cheio de alegria e de inquietação
O evangelho nos mostra Jesus menino sendo apresentado no templo, para cumprir a lei dos judeus, que Maria e José respeitavam. Os evangelhos da infância são muitas vezes chamados de "miniaturas" da vida de Jesus. É que são cenas que, de certo modo, resumem simbolicamente o significado de toda a vida adulta e da missão de Jesus.
Vemos, por exemplo, Jesus ser recebido por Simeão. É um senhor bem idoso, a quem foi prometido que não morreria sem ver a salvação que viria de Deus. Não seria o velho Simeão o próprio retrato do povo do Primeiro Testamento, que aguardava a realização das expectativas em torno do Messias?
Simeão está contente: Jesus é tudo que ele sempre esperou. Mas... (parece que há quase sempre um "mas" nas realizações importantes) aquilo que era sinal de bênção e graça para Simeão para outros seria motivo de crise, de queda. O próprio Jesus atrairia muitos seguidores e adversários. Teria glórias e fracassos, do ponto de vista humano.

Uma espada na alma de Maria. E na Igreja?
Maria ouve o anúncio de Simeão, ao mesmo tempo esperançoso e assustador. Ninguém mais do que ela irá se alegrar com as vitórias de Jesus e sofrer com as dores desse filho tão especial. Simeão não deixa barato: anuncia uma espada de dor que vai ferir a alma de Maria. Sabemos como foi fundo o golpe dessa espada, com esse filho correndo risco como pregador itinerante longe de casa, desafiando as autoridades e sendo crucificado como um criminoso desclassificado.
Mas Maria é também considerada a figura-símbolo da Igreja. E Igreja não é só feita de louvor a Deus, oração, paz de espírito e vista como instituição respeitada. Ser Igreja também envolve crises, escolhas difíceis, riscos, trabalho intenso em circunstâncias nem sempre favoráveis, processos de purificação e permanente conversão. Muitas vezes se sofre na Igreja, com a Igreja e pela Igreja. Faz parte da missão. Igreja não é uma espécie de clube para lazer espiritual, embora haja muita preciosa fonte de alegria na participação na comunidade dos que crêem.

O menino vai crescendo, em todos os sentidos
A narração desse episódio termina com a indicação de que Jesus foi crescendo e ficando forte, cheio de sabedoria, sempre acompanhado pela graça de Deus. Para assumir a sua missão, Jesus não atropelou o tempo, não forçou a natureza. É interessante perceber que há histórias de Jesus menino fazendo uma série de "mágicas" em evangelhos apócrifos, não reconhecidos como palavra de fé. O excesso de fantasia foi um dos motivos de não terem esses textos sido aceitos para fazer parte da nossa Bíblia. A Igreja leva muito a sério o mistério da Encarnação: o Filho de Deus se fez gente como a gente, não brincou de fingir ser humano. Passou por todo o processo normal de amadurecimento que faz parte do crescimento de uma pessoa humana: aprendeu com outros mais adultos, viveu as limitações de cada fase da vida e da cultura em que nasceu.
Ser cristão adulto implica também assumir o processo normal, gradual, de crescimento. Não ficamos iluminados de uma vez para sempre num tempo especial de conversão. Vamos progredindo devagar, às vezes com algum retrocesso que vai ser recuperado mais adiante, tendo sempre mais o que aprender. Importante é estar abertos  a graça e conscientes da importância e da responsabilidade da missão, sem ilusões ingênuas que podem gerar grandes decepções ao longo da caminhada.  
 

   Animando a Liturgia
1- Sentido Litúrgico

A festa da apresentação do Senhor que hoje celebramos, após quarenta dias do Natal, tem caráter de manifestação - “epifania”-: faz parte dos acontecimentos que revelam o Senhor como Messias e atingem sua completa e decisiva manifestação na cruz. Esta festa, de certa forma, encerra as festas natalinas e nos abre o caminho rumo à Páscoa.
Simeão e Ana, adiantados na idade e mantendo viva a esperança, se unem para anunciar a notícia da vinda do Senhor, Luz para iluminar as nações e glória do seu povo fiel.
A devoção popular dedicou esta festa a Maria e, em alguns lugares do Brasil é celebrada como festa de Nossa Senhora da Candelária, ou Nossa Senhora de Belém, ou Nossa Senhora das Candeias, ou Nossa Senhora da Luz.
De fato, com a entrada de Jesus no mundo, nova luz resplandeceu para nós e o mundo transformou-se em templo, habitação de Deus. Em Jesus brilhou para toda a humanidade o verdadeiro sentido da vida, de pertencer a Deus e de sermos filhos e filhas da luz.E quem levou o Menino para o templo foi Maria. Ela é a porta de entrada de Jesus, nossa Luz ao mundo. Ela também estará de pé, junto à cruz, num gesto corajoso de oferenda do Filho, assumindo o transpassar da espada em seu coração.
Por isso, somos convidados neste dia a entrar no templo, ou seja, irmos ao encontro do Senhor, com as velas de nossa fé bem acesas, reconhecendo-O como Cristo, “a luz que vem se revelar às nações”  como fez alegre e agradecido, o velho Simeão. E, como Maria, fazer a oferenda de nossa vida, com Cristo, por Cristo e em Cristo ao Pai.
Seguindo esta luz, vivamos como filhos e filhas da luz, levando a todas as pessoas a luz de Cristo, com nossas atitudes e ações, como lâmpadas vivas e ardentes.

2- Sugestões para a equipe de celebração

1- Reunir-se à porta da Igreja, e enquanto as pessoas acendem suas velas, canta-se um refrão apropriado.
2- Quem preside saúda o povo e, com breve motivação, dá o sentido da festa, convidando a uma participação ativa, consciente e amorosa no mistério que celebramos. A seguir, faz a oração da bênção das velas, escolhendo uma das alternativas propostas pelo Missal: a primeira realçando o significado das velas acesas; a segunda, a atitude dos fiéis que celebram, com a procissão, o encontro de Cristo com a humanidade.
3-  Procissão de entrada com as velas acesas acompanhada de canto apropriado.
4- A bênção das velas substitui hoje, o ato penitencial. Segue-se o canto de glória e a oração própria do dia.
5- O evangelho poderá ser dialogado. Onde for possível, um casal de idosos entoa o cântico de Simeão, durante a proclamação, ou simplesmente o recita, conforme o texto bíblico.
6- Durante a proclamação do evangelho rodear a mesa da Palavra com várias velas acesas.
7- Quem faz a homilia, além de atualizar a palavra, ligando-a com a vida, lembra que: “Em cada eucaristia realizamos agradecidos, nossa oferenda e, como Maria, Simeão e Ana, acolhemos, reconhecemos e oferecemos o Cristo nos sinais do pão e do vinho, contemplando a salvação e aguardando sua nova vinda”.

8- O prefácio é próprio e, nas celebrações da Palavra pode-se cantar a seguinte louvação:
É bom cantar um bendito,/ Um canto novo, um louvor!
1-A Ti, ó Pai, que enviaste / O Messias Salvador!
2-No templo, luz das nações, / O Teu Espírito O revelou!
3-Ao seu encontro acorrendo / Proclamamos teu louvor!
4- A Igreja em cantos e festas / Louva e bendiz o Senhor!
Santo, Santo, Santo...
     9- Na bênção final, destacar a participação das pessoas idosas e também de crianças recém-nascidas com seus pais.
M. do Carmo de Oliveira e Maria de Lourdes Zavarez

 

> 2 - Atualizando:    

> 3 - A palavra de Deus na celebração:     PALAVRA DE DEUS PARA ESTE DIA: Ml 3,1-4; Hb 2, 14-18; Lc 2, 22-40

> 4 - Dicas e Sugestões: