O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

Festa de CRISTO, REI: Fé e Resistência, em dias da Consciência Negra - B

25/11/2018

Festa de CRISTO, REI: Fé e Resistência, em dias da Consciência Negra - B

 

 

(1) Abertura: O CORDEIRO Sl 72 + Ap 5,12.1,6

    (R. Veloso Missa Afro – ODC Part. I p. 82)    

/:Salve o Cordeiro imolado,

a Ele todo o poder! :/

/:Com toda a sabedoria,

a glória, a riqueza, o eterno poder!:/

olê – olê – olá

são os filhos de deus a brincar!

olê – olê – olá

são as filhas de Deus a dançar!

olê – olê – olá

curumins e pajés a cantar!

olê – olê – olá

yaôs e babalorixás!

 

1. Dá, ó Deus o poder de julgar

    E teu Filho a justiça fará!

-- com justiça ele vai governar

    o direito dos pobres salvar!

 

Que os montes nos tragam a Paz,

Pois na terra justiça se faz!

 

-- Que o rei nossos pobres defenda!

    Salve os filhos daquele que pena!

    /:e quem nos oprime – ô – passe na

     moenda!:/

 

    /:Como o sol ele dure pra sempre – ô –

como a luz eternamente!:/

 

2. Como a chuva ele baixe na erva,

    Qual garoa ele molhe esta terra!

-- no seu tempo a justiça floresça,

    e a paz entre nós permaneça!

 

Que ele reine por sobre os mares.

Da Amazônia aos distantes lugares!

 

-- seus rivais diante dele se abaixem,

    reis de longe a trazer-lhe homenagem

    /:todos se ajoelhem – ô – as nações lhe

     agradem!:/

 

    /:Pois o escravo a clamar libertou – ô –

    quem não tinha um protetor!:/

 

3. Ele tem compaixão do indigente

    Salva a vida do índio que geme!       

-- da astúcia e violência ele o salva

    pois a vida do povo lhe é cara!

 

Viva o Cristo e bendigam seu nome     

E haja muita fartura nos montes!

 

-- que seu nome pra sempre se firme,

    feito o sol sua fama rebrilhe!

    /:seja uma bênção – ô – pra todos os   

     países!:/

                                   

   /:Ao Amor, nosso Deus, se bendiga – ô –

    Ele só fez maravilhas!:/

   

  * 

  * 

 

 

(5) Aclamação: ALELUIA + Mc 11,10

(R. Veloso – Missa Afro)

/:ale-aleluiá! ale-aleluiá!:/

/:é bendito aquele que vem:/

/:vem em nome do Eterno Amor!:/

/:E bendito o reino- ô- que pra nós chegou!:/

 

(6) OFERTÓRIO: Lá vem

      (R. Veloso – Missa Afro – ODC Part. II p. 269)

 

      1. Lá vem das senzalas de ontem,

          Lá vem das senzalas de hoje

          /:Oferta que é de sangue e suor

          De um povo em clamor

          Que quer livre cantar!:/

                                   

obá, obá, obá, recbe, olorum, nossos dons

obá, obá, obá, a oferta de nossas nações

 obá, obá, obá, recebe, ó Amor, pão e vinho,

obá, obá, obá- ô- as conquistas de um povo a caminho!

 

      2. Lá vem das aldeias de ontem,

          Lá vem das aldeias de hoje

          /:Oferta de fé e resistência                                                 

          De um povo que pena,

          Mas quer livre brincar!:/

              

      3. Lá vem das favelas de ontem,

          Lá vem das favelas de hoje /:

          Oferta de uma luta sem trégua,

          De uma gente que espera

          E quer livre dançar!:/

 

      4. Lá vem dos calvários de ontem,

          Lá vem dos calvários de hoje,

          /:Oferta das vitórias do novo,

          Que é de Cristo e do Povo,

          Que quer livre louvar!:/

 

(7) SANTO     (R. Veloso – Missa Afro)

 

Meus camaradas, sim! O Amor é Santo!

sim! o Amor é santo, camará!  (3 vezes)

Deus do universo!

sim! deus do universo, camará!

Os céus e a terra...

sim! os céus e a terra, camará!

Sua glória cantam!

sim! sua glória cantam, camará!

Hosaná nos céus!

sim! hosaná nos céus, camará!

Bendito o que vem...

sim! bendito o que vem, camará!

Em nome do Amor!

sim! em nome do Amor, camará!

Hosaná nos céus!

sim! hosaná nos céus, camará!

Viva o Salvador!

sim! viva o salvador, camará!

Viva o Salvador!   (3 vezes)

 

(2) Pedido de perdão: SENHOR

(R. Veloso – Missa Afro)

/:Senhor, piedá’de nós, Senhor, piedá’de nós!:/

/:Filho de Olorum, ó Jesus, compaixão de nós, por tua cruz!:/

/:Ó Cristo, piedá’de nós. Ó Cristo, piedá’de nós!:/

/:Filho de Deus Pai, saravá, de Tupã nos traz luz e paz!:/

 

/:Senhor, piedá’de nós, Senhor, piedá’de nós!:/

 

(3) Hino de louvor: EU OLHEI PRO CÉU

     (R. Veloso – Missa Afro – ODC Part. II p. 268)

 

Eu olhei pro céu

Eu vi um jasmim

É louvor sem fim,

Olorum, meu Pai!

Olorum, meu Pai,

é louvor sem fim

eu olhei pro céu

eu vi um jasmim

olê-lê-ô  olê-lê-ô  olê-lê-ô  olê-lê-á

olê-lê-á  olê-lê-á  olê-lê-á  olê-lê-ô

 

Eu olhei pro céu

Eu vi uma estrela

Oh! Que coisa bela

Ñe’engatu, Jesus!

Ñe’engatu, Jesus

oh! que coisa bela

eu olhei pro céu

eu vi uma estrela!

olê-lê-ô...

 

Eu olhei pro céu

Eu vi uma flor

Era o eterno Amor

O Divino Espírito!

o divino espírito

era o eterno amor

eu olhei pro céu

eu vi uma flor           

olê-lê-ô...

 

(4) Salmo de resposta: Sl 93  (inédito)

 

deus é rei e se vestiu de majestade! (bis)

 

O Amor, ele reina revestido

De esplendor, de poder é que se veste!

E o mundo está firme para sempre,

Desde sempre, seu trono permanece!

 

Desde sempre, ó Amor, vós existis!

Confiáveis são vossos testemunhos!

Santidade é o que cabe em vossa casa,

E por dias, Amor, mesmo inúmeros! 

 

 

(8) CORDEIRO  (R. Veloso – Missa Afro)

 

Cordeiro de Deus! - cordeiro de deus!

Tu te ofereceste a Olorum!

tu te ofereceste a olorum!

Tu tiras do mundo a maldade!

tu tiras do mundo a maldade!

Tem piedade de nós!

tem piedade de nós! tem piedade de nós!

tem piedade de nós!

 

Cordeiro de Deus - cordeiro de deus!

Tu te ofereceste a Tupã!

tu te ofereceste a Tupã!

Tu tiras do mundo a maldade!

tu tiras do mundo a maldade!

/:Dá-nos teu axé! - dá-nos teu axé!

Dá-nos tua paz! - dá-nos tua paz!

dá-nos tua paz!:/

   

(9) Comunhão: Jo 18,33b.37 + Sl 50,1-15.23

                 (mel. Sl 150 ODC Part p. 212)

/:eu sou Rei, eu sou Rei vim dar ao mundo:/

/:da verdade eu vim dar o testemunho...:/

/:a verdade, a verdade quem buscar:/

/:minha voz. minha voz há de escutar!:/

 

1.O Eterno Amor, que é Deus dos deuses, 

   Do nascente ao poente, a terra chama,

   De Sião, brilha Deus, beleza pura!

   Nosso Deus, ele chega e não se cala!

   - Lá do alto, convoca céus e terra:

     Vai julgar o seu povo, a sua gente:

     “Meus fiéis, que comigo uma Aliança

     Celebraram, juntai em minha frente!”

 

2.E os céus anunciam sua justiça,

   Pois é Deus quem agora vai julgar:

   “Ó meu povo, me deixa te dizer,

   Contra ti, pois, eu vou testemunhar.”

   - “Eu sou Deus, eu sou Deus, eu sou teu Deus!

     Eu não vou te julgar por sacrifícios,

     Por ofertas que sempre me ofereces...

     Teus bezerros, teus touros e cabritos!”  

  

3.”Pois são minhas as feras das florestas,

   Aves todas e gados, minha gente!

   Se eu fome tivesse, não iria

   Suplicar-te, pois tudo me pertence!”

   - “Oferece a Deus o teu louvor,

     As promessas ao Céu tu cumprirás,

     Por mim chama no dia da angústia,

     E haverei de livrar-te e me honrarás!”

 

4.”Quem me oferta o louvor, este me honra;

   E a quem caminhar na retidão,

   Só a este farei experimentar

   O que seja de Deus a salvação!”

    -- Glória ao Pai, Criador do Universo

       Glória ao Filho que reina pelo amor,

       Glória seja ao Espírito que desce

        Qual torrente de Amor a nós baixou!

João 18,33b-37

 

A programação anual das celebrações do Ofício Divino (Liturgia das Horas) e da Ceia do Senhor (Eucaristia) é uma verdadeira escola de espiritualidade, da mais genuína espiritualidade da comunidade eclesial, a espiritualidade da Igreja. Ela nos coloca à escuta cotidiana do Mestre, que hoje se nos apresenta como Rei, justamente assim: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

 

Sendo esta a nossa caminhada, mais um ano litúrgico terá valido a pena, se tiver sido, o tempo todo, um tempo de escuta da Palavra de Jesus, com aquela certeza maior: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23). É desse jeito que Cristo é nosso Rei, que o Reino de Deus vem a nós “assim na terra como no céu”. E na medida em que a sua verdade e a sua presença se aprofundam em nós, e a nossa prática cotidiana, onde quer que nos encontremos, traduza, em gestos e atitudes, esta mesma verdade, nós seremos outras tantas testemunhas da verdade. O Reino de Cristo, então, irá se estabelecendo nas pessoas e ambientes por nós influenciados.

 

E assim, nosso canto de ação de graças, hoje, tem sabor de culminância e de plenitude, mesmo que seja provisória, “até que Ele venha”.

 

*  *  *  *  *

Celebrar esta festa de conclusão do Ano Litúrgico, quando, em todo o país, se celebra

a “Consciência Negra”, a memória de Zumbi dos Palmares e a luta heroica de todos os Quilombos de ontem e de hoje, por dignidade, liberdade e vida em plenitude para o povo que veio de África em condições de escravidão e ainda hoje amarga preconceitos, discriminações e condições infames de desigualdade... tudo isso só vem encarecer ainda mais junto à comunidade cristã o  compromisso sempre mais exigente com a realização plena desse Reino da Verdade que liberta e vivifica. Graças a Deus, a partir da Constituição de 1988, e, sobretudo, em tempos de governos identificados com os segmentos tradicionalmente marginalizados, foi possível observar avanços significativos, em termos de políticas públicas de inclusão. Mas ainda havia muito mais por se conquistar. Agora, que estamos em tempos de “exílio”, ameaçados pela recrudescimento dos preconceitos e por um governo que nos acena com mão de ferro, mais do que nunca, precisamos que nosso Rei hoje nos venha fortalecer a esperança e a capacidade de resistir a tudo quanto possa impedir que o seu Reino de Liberdade, de Justiça e de Paz possa se realizar.

 

*  *  *  *  *

Por fim, as Comunidades Eclesiais de Base, ao se reunirem em nome desse Rei da Verdade, sentem-se mais fortalecidas no compromisso de fazer valer sua dupla Cidadania:

- na Igreja, em busca de uma Igreja, efetivamente, POVO DE DEUS,

onde se supere todo clericalismo, todo espírito de dominação,

onde todo cristão, toda cristã viva plenamente seu sacerdócio, seu profetismo, sua tarefa pastoral...

- e na Sociedade, em busca de um País, onde cesse toda opressão e exclusão,

onde acabe toda desigualdade, e aconteça a plena participação

para que todos e todas “tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).

J. Reginaldo Veloso

Novembro de 2018

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