O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

Trigésimo segundo Domingo do Tempo do Discipulado e da Missão – Ano B:

10/11/2018

Trigésimo segundo Domingo do Tempo do Discipulado e da Missão – Ano B:

Domingo dos Doutores, dos Ricos e da pobre Viúva

 

Marcos 12,38-44

 

Há uma religião feita de aparências e exterioridades, de ritos, devoções e até gestos espetaculares, mas que esconde interesses egoístas, busca de privilégios, de vantagens ou de status, objetivos que não são precisamente o verdadeiro amor de Deus e do próximo.

 

Do começo ao final de sua missão de anunciar o Reino de Deus, Jesus trava ferrenha batalha contra aquilo que ele chama simplesmente de “hipocrisia”. Poderíamos até dizer que a causa que o levou à morte e morte de cruz, foi, o tempo todo, ter desmascarado a falsidade dos poderosos da religião e do dinheiro, abrindo os olhos do povo para os enganos de uma santidade feita de aparências (lembram os “sepulcros caiados”?... MT 23,27) e revelando a santidade verdadeira que se encontra muito mais no meio daqueles que são considerados “pecadores”, gente, em todo caso, sem prestígio e importância aos olhos da “sociedade” e, quem sabe, da “Igreja”.

 

A Deus ninguém engana. E o que vale mesmo para ele é a entrega do coração, é a doação da própria vida, como fez a pobre viúva, como, finalmente, fez o próprio Jesus. Ele nos educa o olhar para termos essa capacidade de perceber o essencial.

 

O Pão e o Vinho da sua Ceia são o sacramento desta entrega total. Comendo e bebendo desta mesa com alegria, “caminhando e cantando e seguindo a canção”, queremos entrar nesta onda.

_________________________________________________________________________

Nas passadas eleições, as Religiões, espe

cialmente as Igrejas Cristãs, tiveram uma participação expressiva, como nunca, talvez, na história do Brasil... Como Jesus nos ensinou a avaliar a “arvore” pelos seus “frutos” (cf Mt 7,15-20), que pensar do testemunho de nossos presbíteros (padres) e pastores, dos nossos bispos?... Suas atitudes e pregações foram realmente inspiradas na Fé?... Foram exercício corajoso da Profecia?... Deram o melhor de si pela causa do Reino da Vida?

*

 

(4) Ofertório: NÃO SE DEVE DIZER

                          (HIN III B, p. 234)

não se deve dizer:

“nada posso ofertar!”,

/:pois as mãos mais pobres

é que mais se abrem

para tudo dar!:/

 

1.O Senhor só deseja

   Que em nós tudo seja

   Constante servir...

   Quando nada se tem,

   Só resta dizer:

   “Senhor, eis-me aqui!”

 

2.Com as mãos bem abertas

   Trazendo as ofertas

   De vinho e de pão,

   Surge o nosso dever

   De tudo fazer

   Com mais doação!

 

3.Alegrias da vida,

   Momentos da lida

   Eu posso ofertar;

   Pois, nas mãos do Senhor,

   Um gesto de amor

   Não se perderá!

 

(5) Comunhão: NÃO IMPORTA... Sl 62     

               (HIN III B,  p. 235)

não importa o tamanho da oferta,

o que conta é o amor que a conduz.

nesta ceia do pão e do vinho

corpo e sangue nos dás, ó jesus!

1.Só em Deus acho repouso,

   Dele espero a salvação!

   Ele é força que me salva,

   Força pr’eu não ir ao chão!

   /:Até quando vocês juntos

   Contra um só atacarão?...:/

 

2.Contra um muro que se inclina

   Ou parede a desabar,

   Já tramaram derrubar-me

   E não sabem se calar...

  /: Sua boca diz louvores,

   Dentro, pensam em condenar...:/

 

3.Povo, espera no Eterno,

   Abre a ele o coração!

   Todo ser é só um sopro,

   Mesmo os bons falam ilusão...

   /:Se botarmos na balança,

   Sobem mais que um balão!:/

 

4.”Só Deus tem poder e glória!”

   Foi assim que eu entendi...

   A bondade só tu tens,

   O amor se encontra em ti,

   /:Dás conforme a gente faz,

   Também, isto eu entendi!:/

(1) Abertura: A TI, SENHOR, MEU PEDIDO

Sl 143 + Sl 88, 3 (HIN III B, p. 231)

 

a ti, senhor, meu pedido:

volta pra mim, volta pra mim, volta pra mim,

senhor, pra mim o teu ouvido!

 

1. Ó Amor, escuta a prece

    Que te faço e o meu pedido!

    Vem, me atende, Deus fiel!

    Eu preciso ser ouvido...

    Se vieres nos julgar,

    Todo mundo está perdido!

 

2. Lembro os dias do passado:

    Os teus feitos que me alentam.

    Eu estendo as minhas mãos,

    A minh’alma está sedenta

    Como terra esturricada,

    Ressequida e poeirenta.

 

3. Vem depressa, ó Amor!

    Vem depressa me escutar!

    Meu espírito está fraco,

    Eu já estou pra desmaiar...

    Não me escondas o teu rosto,

    Para eu não me arrasar.

 

4. Vem, me ensina a fazer sempre,

    Ó Amor, tua vontade!

    Teu Espírito me guie

    A uma terra conquistada.

    Vem, renova a minha vida,

    Das angústias libertada!

 

(12) Salmo de resposta: Sl 146

                (HIN III B, p. 232)

bendize, minh’alma, bendize  ao senhor!

 

1.O Senhor é fiel para sempre,

   Faz justiça aos que são oprimidos;

       Ele dá alimento aos famintos

   É o Senhor quem liberta os cativos!

 

2.O Senhor abre os olhos dos cegos

   O Senhor faz erguer o caído;

   O Senhor ama aquele que é justo,

   É o Senhor quem protege o estrangeiro!

 

3.Ele ampara a viúva e o órfão 

   Mas confunde os caminhos dos maus.

   O Senhor reinará para sempre,

   Ó Sião, o teu Deus reinará!

 

(3) Aclamação: ALELUIA! + Mt 25,34                              

       (mel. Dom 29/30: HIN III B, p. 233)

aleluia! aleluia! aleluia! aleluia!

Venham, venham, benditos do Pai,

Tomem posse, agora, do Reino!

aleluia! aleluia! aleluia! aleluia!

Pra vocês é que foi preparado,

Desde sempre, desde o começo!

aleluia! aleluia! aleluia! aleluia!

 

Uma palavra de luz – Ir. Marcelo Barros

(...) Sei que estamos todos nós aturdidos e ainda atordoados com a notícia que já se anunciava mas que, de todos os modos, tentamos acreditar que ainda pudesse ser evitada. Ainda dessa vez, não deu. Perdemos.            (...)

O fato de que a maioria do povo brasileiro referendou um projeto autoritário e de extrema-direita não pode ser considerado menos importante para todos nós e para os movimentos sociais.  Não adianta dizer que isso tem menos importância. Seria  repetirmos a fábula da raposa e da uva. Sem dúvida, temos de refletir sobre o que está acontecendo e o que esse novo contexto que se abre para o Brasil (ou se fecha) pede de nós.             (...)

Nessa noite escura, me veio à memória a palavra do apóstolo Paulo: “Irmãos e irmãs, carregai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei do Cristo. (...) Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal 6, 2 e 14). Nesses domingos, tenho sempre meditado nos evangelhos como Jesus propunha um caminho (o da cruz) e os discípulos não compreendiam e insistiam em um projeto de poder sobre a sociedade. E Jesus advertia de que o projeto vigente no sistema do mundo dominante não consegue superar a regra do domínio. “Entre vocês, não deve ser assim”.      (...)

No final da mesma carta aos gálatas, Paulo chega a dizer que o importante é ser e viver uma nova criação (6, 16). Hoje, a gente diria uma sociedade do bem-viver e a partir de uma sustentabilidade eco-social nova e transformadora. 

No Brasil desses dias, nós tentamos de todos os modos trabalhar e lutar contra o poder político-sagrado da direita que dizia “por Deus” para um projeto de governo que era o que Satanás queria propor a Jesus no deserto. Esse projeto se impôs ao nosso povo pela propaganda enganosa e pela guerra de quarta geração. Resta-nos agora voltar às bases e preparar as células de resistência (os cenáculos de resistência) na linha das minorias abraâmicas e da reorganização da esperança. 

Nessa perspectiva, a cruz da qual Paulo fala nesse texto da carta aos gálatas é o projeto de transformação do mundo pelo inverso do poder. Deve ter incidência social e política, mas na linha de oposição profética ao mundo e de ir como fermento na massa subvertendo as lógicas do sistema e reinventando uma política e uma outra forma de viver o poder. Vamos aprofundar essa espiritualidade político-libertadora e recomeçar nossa luta. 

Só é bom lembrar que São Francisco de Assis nos recomendava que esse caminho da nossa configuração com a cruz de Jesus não pode ser vivida apenas na sensação de impotência e de fracasso político. Não pode nos derrubar da militância ativa que nessas últimas semanas foi tão bonita e fecunda. Ela tem de ser vivida no que Francisco chamava de “perfeita alegria” que está no esquecimento de nós mesmos e nossos projetos pessoais na comunhão do Cristo crucificado>>  

 

 

DOWNLOAD DO ARQUIVO →