REDE CELEBRA 
O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

Décimo nono domingo do Tempo Comum - Ano B - Domingo do PÃO DESCIDO DO CÉU

09/08/2018

19º Domingo do Discipulado e da Missão – B: Domingo do PÃO DESCIDO DO CÉU

 

 

João 6,41-51

“Santo de casa não faz milagre”, e, se faz, a gente não percebe, nem está a fim de lhe dar alguma importância. Mesmo depois do “sinal” da multiplicação dos pães, o “filho de José” não merecia ser levado a sério quando se apresentava como “pão descido do céu”...

Mas os equívocos de uma religião distorcida continuam ainda hoje. Muitos cristãos aprenderam da catequese ou da teologia que os gestos salvíficos do Senhor se perpetuam ao longo dos séculos e por todos os lugares, através dos Sacramentos. Cultuam, encantados, a Presença Real do Senhor, sobretudo, no Pão e no Vinho da Eucaristia, o “Santíssimo Sacramento”!...

No entanto, não aprenderam a perceber, primeiro, que em cada gesto sincero de amor, nas expressões mais simples e cotidianas de cuidado e serviço, de solidariedade e partilha, em família, entre vizinhos, no ambiente de trabalho ou de escola, é o próprio Deus quem se manifesta, é seu Verbo que se faz carne. Precisa só ter olhos de ver e abrir o coração, deixando-se atrair pelo Pai e aprender as coisas de Deus, os segredos do seu Reino, da sabedoria e das vivências cotidianas dos mais simples e pequeninos. E assim, muitos cristãos, à espera da missa, perdem as oportunidades de cada instante. Mas quem não se empolga nem cresce com as manifestações de amor e solidariedade  que se dão em seu ambiente de vida, durante a semana, em vão cantará, no domingo, os louvores do Deus-Amor, ao participar da Ceia do Senhor.

 

Prestemos bem atenção, ao que nestes dias está acontecendo em Brasília: 7 companheiras e companheiros ligados aos Movimentos Populares, sobretudo do campo, estão em GREVE DE FOME. Privam-se voluntariamente de comer, em solidariedade com os milhões de desempregados e de Sem Terra que, neste país, estão passando fome. Como diz um deles, Frei Sérgio, “é a fome contra a fome”! O “Pão vivo descido do céu” estará se manifestando através dessa gente? Seremos capazes de entender “o sinal”, de atender ao chamado à solidariedade?...

                                     

 

(4) Ofertório: SENHOR, MEU DEUS,

(HIN III B, p. 170)

 

senhor, meu deus, obrigado, senhor,

porque tudo é teu!

 

1.É teu o pão que oferecemos,

   É tua a vida que vivemos,

   Obrigado, Senhor!

 

2.É teu o vinho que ofertamos,

   E a alegria que cantamos,

   Obrigado, Senhor!

 

3.A tua vida é nossa vida,

   Na tua casa recebida,

   Obrigado, Senhor!

 

4.Na tua cruz crucificados,

   Seremos teus ressuscitados,

   Obrigado, Senhor!  

 

 

(5) Comunhão: TEU CORPO É NOSSO

     ALIMENTO - Sl 78 + cf. Jo 6,51

              (HIN III B, p.171)

 

teu corpo é nosso alimento

reforço pra caminhada

queremos o pão da vida,

ao longo da nossa estrada,

senhor, nos dá vida eterna,

agora e após a jornada!

 

1.Escuta, ó meu povo, a minha Lei,

   Ouve atento as palavras que eu te digo;

   Abrirei a minha boca em parábolas

   Os mistérios do passado lembrarei.

 

2.Não havemos de ocultar a nossos filhos;

   Mas, à nova geração nós contaremos:

   As grandezas do Senhor e seu poder,

   Os seus feitos, que por nós realizou!

 

3.Rochedos no deserto Ele partiu

   E lhes deu para beber águas correntes;

   Mas pecaram contra Ele sempre mais,

   Provocaram no deserto o Deus Altíssimo.

 

4.Falavam contra Deus e assim diziam:

   “Eis que fere os rochedos num momento,

   Faz as águas transbordarem em torrentes,

 Mas será também capaz de dar-nos pão?”...

 

5.Ordenou, então, às nuvens lá dos céus

   E as comportas das alturas fez abrir;

   Fez chover-lhes o maná e alimentou-os

   E lhes deu para comer o pão do céu!

 

6.O homem se nutriu do pão dos anjos,

 Pois, mandou-lhes alimento em abundância

   E comeram e beberam à vontade,

   O Senhor preencherá os seus desejos!

(1) Abertura: MEU DEUS, VEM LIBERTAR-ME - Sl 33 + Sl 70,2.6    (HIN III B, p. 168)

 

meu deus, vem libertar-me,

oh! não demores, senhor, em socorrer!

só tu, tu és meu arrimo,

libertador, vem depressa me valer!

 

5.A Nação que Ele governa

   É feliz com tal Senhor.

   Lá do céu Ele vê tudo,

   Vê o homem e seu valor.

   Fez o nosso coração,

   Forte e contemplador!

 

6.O que dá vitória ao rei

   Não é ter muitos soldados.

   O valente não se livra

   Por sua força ou seus cuidados.

   Quem confia nos cavalos

   Vai, no fim, ser derrotado!

 

7.O Senhor protege sempre

   Quem espera em seu amor,

   Pra livrar da triste sorte

   E, na fome, dar vigor.

   No Senhor é que esperamos,

   Ele é escudo protetor!

 

8.Nele nosso coração

   Encontrou sempre alegria.

   No seu nome sacrossanto,

   Quem é bom sempre confia.

   Traz, Senhor, com teu amor,

   Esperança e alegria!

 

(2) Salmo de resposta: Sl 34 (HIN III B, p. 169)

 

provai e vede quão suave é o senhor!

 

1.Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,

   Seu louvor estará sempre em minha boca.

   Minha alma se gloria no Senhor,

   Que ouçam os humildes e se alegrem!

   

2.Comigo engrandecei ao Senhor Deus,

   Exaltemos todos juntos o seu nome!

 Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,

   E de todos os temores me livrou!

 

3.O anjo do Senhor há de acampar

   Ao redor dos que o temem e os salva...

   Provai e vede quão suave é o Senhor,

   É feliz quem nele tem o seu refúgio!

 

 (3) Aclamação: ALELUIA + Jo 6,51

(HIN III B, p. 170)

aleluia! aleluia! aleluia! aleluia!

aleluia! aleluia! aleluia! aleluia!

Eu sou o pão vivo descido do céu,

Quem come do mesmo sempre há de viver,

Eu sou o pão vivo descido do céu!

Amém! Aleluia! Aleluia!

 

PAPA FRANCISCO, aos Movimentos Populares do Mundo:

 

Hoje quero refletir com vocês sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança – poderíamos dizer – redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscam uma mudança e não apenas vocês: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e, sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.

O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece exaurir-se; já não nos contentamos com lutar entre nós, mas chegamos até a assanhar-nos contra a nossa casa. Hoje, a comunidade científica aceita aquilo que os pobres já há muito denunciam: estão-se produzindo danos talvez irreversíveis no ecossistema. Está-se castigando a terra, os povos e as pessoas de forma quase selvagem. E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava «o esterco do diabo»: reina a ambição desenfreada de dinheiro. O serviço ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.

 

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