O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

Formação para proclamadores da Palavra na Liturgia- 07/09/21 LEITURA Orante da Palavra de Deus

11/09/2021

 Formação para proclamadores da Palavra na Liturgia- 07/09/21

                        LEITURA Orante da Palavra de Deus

(Baseado no subsídio da Rede Celebra: Ione Buyst, Leitores e salmistas, Paulinas, SP, 2001)

                       

                        ...os ajudantes, leitores, comentadores e cantores desempenham um verdadeiro ministério litúrgico (SC 29).

  1. Isto significa, que:
  • A pessoa que proclama a Palavra assume um ministério próprio... atua a partir de seu sacerdócio batismal e não, como ajudante do padre.
  • É representante de Cristo, animada pelo seu Espírito. É Cristo que fala quando se lêem as Escrituras na Igreja (SC 7)...  Quem lê não trabalha por conta própria.
  •  Trata-se de um serviço comunitário, eclesial. A pessoa que proclama a leitura exerce um ministério aos irmãos e irmãs reunidos em assembleia. Não é um poder sobre a comunidade e nem para aparecer.

 

  1. Mas, o que ainda acontece?

É muito comum, antes da celebração litúrgica, encontrarmos pessoas procurando alguém disponível para fazer as leituras naquela celebração. Ler as leituras em “folhetos” litúrgicos, que depois são jogados; não se ter estante da Palavra e nem o Lecionário.

É muito comum também quem faz a leitura não se comunicar com a assembleia, pois o povo também está lendo por si, no folheto. Tem lugar onde se insiste para o povo levar a Bíblia para acompanhar individualmente a leitura...

 

  1. Proclamar ... e não apenas ler! Qual a diferença?

 

Fazer a leitura significa ir lá na frente, ler o que está escrito para minha informação e da comunidade. Ou, pior, é apenas uma formalidade: celebrar supõe leitura, alguém precisa ler, não importa se o povo entendeu e se foi atingido pela leitura.

Proclamar a Palavra é um gesto sacramental. A pessoa coloca-se a serviço de Jesus Cristo que através da leitura, da voz, da comunicação dela...quer falar pessoalmente com seu povo reunido. “Presente está pela sua Palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja” (SC 7), isto é, na comunidade reunida.

Proclamar é dar vida ao texto. Como nos diz a Ione Buyst[1],

 o  texto recebe um “corpo”, uma alma, uma voz, um rosto, um sentimento...ressoa no espaço. Entra em nossos ouvidos, provoca pensamentos e emoções. Deixa-nos alegres ou preocupados, nos interpela, nos questiona. Cria comunhão com quem fala e com quem recebe a mesma mensagem. Ouvidos e corações atentos acolhem a Palavra proclamada e deixam que criem raízes e dê frutos. .

 

  1. Realidade sacramental feita de sinais sensíveis

 

A presença de Jesus Cristo pela sua Palavra é uma presença simbólico-sacramental. Passa pelos sinais sensíveis: a pessoa que lê, o livro, a leitura, o tom de voz, o lugar da proclamação, a comunicação entre quem lê e a assembleia que ouve, a disposição dos ouvintes em ouvir.

Os sinais sensíveis realizam o que significam. Mas a significação não é algo automático: depende de compreender o sentido. Precisa então que a equipe de liturgia prepare os leitores/as e também o povo.

 

  1. Ministros e ministras da Palavra

 

Leitura não é informação, não é noticiário, não é aula...

Leitura é Jesus Cristo presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, de­nunciando as injustiças, convocando a  comunidade, convidando-a para a renovação da aliança, a conversão, a esperan­ça, a ação, purificando e transformando-nos.

 Por isso alguém da comunidade é chamado a ser ministro/a servidor/a desta Pa­lavra. É uma missão litúrgica que necessita de uma boa formação técnica, teológica e espiritual assim como quem canta o salmo e faz a homilia, que são também ministro/as da Palavra.

Não só pelo conteúdo da leitura, mas por todo o seu modo de ser e de falar, de olhar, de se movimentar é que o lei­tor ou e leitora deverão ser, no meio da comunidade. sinais vivos do Cristo-Palavra e do seu Espírito.

 A leitura litúrgica é um acontecimento comunitário e sacramental. Jesus Cristo fala à comu­nidade reunida, pela pessoa do leitor ou da leitora.  E o Espírito está presente na pessoa que lê e está atuante também nos ouvintes para que acolham a Palavra em suas vidas. Os ouvintes não são leito­res! Os ouvintes devem: ...ouvir, escutar, acolher a Palavra. Ouvem as palavras pro­clamadas pelos leitores, e têm os olhos fi­xos neles para não perderem nem um sinal daquilo que é anun­ciado.

 O/a leitor/a deverá ler e meditar a leitura em casa, durante a se­mana para poder ser ministro da Palavra. A pessoa deve de alguma maneira deixar Cristo se manifestar. Ela empresta sua voz e seu jeito de se comunicar.

O/a leitor/a é tam­bém ouvinte. Enquanto proclama a Pala­vra, ele/a presta atenção, com toda a co­munidade, para tentar perceber o que o Espírito está querendo dizer à Igreja na­quele dia.

Antes da proclamação do Evangelho está previsto um pequeno gesto feito em silêncio que mostra claramente como de­ve ser a atitude dos leitores. Quando é um diácono que irá fazer a proclamação, es­te se inclina diante do sacerdote e pede a sua bênção; o sacerdote, então diz: "O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios para que possas anunciar digna­mente o seu Evangelho: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Quando é o próprio sacerdote a fazer a proclamação, ele se inclina diante do altar e reza assim: "Ó Deus todo-poderoso, purificai-me o 'coração e os lábios para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evan­gelho". Os dois textos se referem ao cora­ção e aos lábios. Ao coração, porque é ne­le que acolhemos a Palavra e o Espírito do Senhor que é Amor; a proclamação deverá partir do coração. Aos lábios, por­que são o instrumento de comunicação.

"Lábios' significa aqui todo o esforço feito para que a Palavra concebida no cora­ção sob a ação do Espírito, possa atingir o coração dos ouvintes, possa gerar neles a Palavra que quer fazer-se carne ou­tra vez, em nossa vida, em nossa realida­de. "Lábios" significa: dicção, entonação de voz, ritmo, respiração, ênfase... Deve­mos deixar que o Senhor esteja presente neste processo de comunicação e, por is­so, deverá ser realizado com toda dedi­cação e unção possíveis. Também o olhar e a postura do corpo têm parte neste pro­cesso de comunicação e até mesmo o microfone e a instalação de som. (...)[2]

  Todos o/as leitor/as da Palavra poderiam inspirar-se nesta proposta para meditar, preparando-se para proclamar a leitura na celebração. Importante também é o método da Leitura Orante para uma preparação espiritual e eficaz.

 

 6- Como proclamar uma leitura?

Não basta ler. É preciso proclamar a leitura como Palavra (dabar) acontecimento de salvação. Palavra que revela a bondade e o amor de Deus; Palavra que nos liberta, dá vida, ressuscita. Palavra que nos corrige, nos purifica; Palavra que denuncia as injustiças e a maldade; que nos chama à conversão e à comunhão com Deus e os irmãos.

A palavra transmitida pela leitura sempre deve atingir os ouvintes e, quem lê, é também um deles. A leitura deve ressoar dentro do contexto de nossa vida atual, com suas alegrias e seus problemas, conflitos e tensões... Ela deve penetrar no interior de cada pessoa, iluminar e julgar a sua consciência e suas ações.

A força da leitura vem da Palavra de Deus, do Verbo de Deus:   Jesus Cristo ressuscitado. É Ele que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras. ( SC n7).

As leituras tiradas da Bíblia pertencem a gêneros literários diferentes: narração de fatos históricos, poesias, norma jurídica, parábola, profecia, ensinamento, hino, oração, provérbio, carta, diário de viagem etc...   Para cada tipo de gênero deve  ter um tom diferente de dizer a leitura.

E mais, quem lê deve expressar os sentimentos do autor... e do próprio Jesus Cristo. O que não significa “teatro” e sim fazer a leitura de tal maneira que o texto aconteça aos olhos dos ouvintes.

 

7-  Em frente à assembléia.

- No momento de fazer a leitura, suba à estante com tranqüilidade.

- Coloque-se em pé, com a cabeça erguida; as costas retas para poder respirar melhor; as mãos na estante com o Livro. Onde houver microfone, veja se está ligado e se está na altura e na distância certa.

- Olhe para a assembléia, "reúna", "chame" o povo com o olhar...; jogue como que uma ponte até às últimas fileiras; estabeleça contato. Tudo isto em silêncio. (É o silêncio que valoriza a palavra.). Deixe que também o seu rosto exprima um pouco os sentimentos do Senhor Jesus para com o seu povo.

- Faça a leitura, de maneira calma e pausada, com dicção clara.... Não perca o contato com a assembléia.

- No final da leitura, aguarde a resposta da assembléia e depois, tranqüilamente deixe a estante e volte a seu lugar. E assim, com a ajuda de Deus - possa a leitura se tornar para você e para todos uma palavra de salvação.

 

8) Como proclamar o evangelho?

Sendo o evangelho o ponto central da liturgia da palavra, merece um destaque especial, principalmente na celebração eucarística (missa) e na celebração dominical da palavra.

O ministro da estante saúda a assembléia: 'O Senhor esteja convosco', ou 'O Senhor esteja com vocês'. Em seguida, anuncia a leitura: 'Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo... (Mateus, Marcos, Lucas, ou João). Enquanto diz isso, faz um pequeno sinal da cruz no livro, depois na testa, na boca e no peito, pedindo interiormente que o Senhor esteja em sua mente, em sua boca, em seu coração quando proclama a palavra. Depois disso, poderá incensar o livro.

Em seguida, o ministro proclama o evangelho do dia. Principalmente em dias de festa, ou até mesmo a cada domingo, o evangelho poderia ser cantado, com uma melodia bem simples, tipo salmodia. Mas é preciso treinar bem antes, para que a música expresse e realce o sentido das palavras.

No final da proclamação o ministro poderá erguer o livro, apresentando-o à assembléia, enquanto esta repete a aclamação ao evangelho e faz um gesto de apreço e de adesão à palavra ouvida. O livro é para nós um sinal da palavra de Deus; porém, mais importante que o livro é a própria palavra proclamada. Por isso, parece mais lógico mostrar e beijar o livro etc., depois da proclamação e não antes.

Se houver procissão antes,  não tem como objetivo mostrar o livro, nem aclamá-lo, mas entregá-lo ao ministro e suscitar em nosso coração o desejo de ouvir a palavra do Senhor. Quem carrega o livro na procissão deve ter isso em mente. No final, o ministro beija o livro.

 

9- Método da leitura orante – Como preparar-se para Proclamar

 

“Perto de nós está Tua Palavra. Que esteja na boca, no coração, na vida do Teu povo!”

 

A lectio divina ou leitura orante, é um método de leitura espiritual das Sagradas Escrituras que associa estudo e oração. Levando em consideração os estudos exegéticos, tem por finalidade específica conduzir-nos à oração e à obediência a Deus que nos fala pela Palavra. Este método que vem da tradição judaica, tem como eixo a aliança: Deus faz de um povo escravo, um povo  sacerdotal para ouvir a voz de Deus e guardar a sua aliança (cf. Ex 19,3-6). Este método foi praticado e transmitido pelas primeiras gerações cristãs, pelos pais e mães da Igreja. É um método que supõe disciplina: regularidade, atenção, perseverança.

 

  1. Um método de leitura bíblica espiritual. Origines (184-254), aponta os elementos do método: leitura, meditação e oração. Ele dizia: “O que não se consegue com o próprio esforço deve ser pedido na oração”. A liturgia era o lugar natural de escuta na intimidade da oração que se prolongava na leitura pessoal. À medida que a liturgia se tornou inacessível ao povo, o estudo da Bíblia se transformou em objeto de especulação. No século XII, Guigo, um monge Cartuxo, sistematizou o método em quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação. Contudo, só com o Concílio Vaticano II é que o povo, pode acessar a bíblia como fonte de espiritualidade cristã. A Dei Verbum refere-se ao método quando recomenda “intimidade com a Palavra mediante leitura assídua e estudo cuidadoso” (n. 25).
  2. Os passos do método. O primeiro passo é a leitura atenta. Ler como se fosse a primeira vez com toda atenção o texto em si. Sem a pretensão de logo tirar uma mensagem. Colocar-se por inteiro diante do texto (mente, vontade e coração). Prestar atenção nas imagens, nas ações, nas personagens, na experiência que está por de trás das palavras. Técnicas que podem ajudar: sublinhando, o que nos parece importante;  transcrever o texto; Ler muitas vezes até memorizar (muito usada na tradição monástica); comparar diversas traduções, prestando atenção nas diferenças. Se, durante a leitura, se distrair, voltar ao começo. Se ocorrer a lembrança de um outro texto bíblico, ou de um fato da vida, seguir atentamente o que nos vem na memória...
  3. Passa-se ao segundo passo, a meditação, quando o coração se rende à presença de Deus que fala e começamos a saborear e a “guardar no coração” a  Palavra que ilumina ou que exorta à conversão. É hora de escutar o que Deus está falando para nossa vida, hoje. O terceiro passo é a oração que brota da meditação: admiração, agradecimento, intercessão, arrependimento, louvor, súplica... Por fim a contemplação - a Palavra em ação dentro de nós.  Ficamos em silêncio neste lugar onde Deus nos faz descobrir o sentido pascal de um sofrimento, a saída de uma situação difícil, a paz serena depois de uma turbulência...  E nos move ao bem... A chave da leitura orante é a leitura feita com amorosa atenção. O segredo é a oração.

d) Um método litúrgico. A leitura orante é antes de tudo um método litúrgico. Está visivelmente presente na estrutura da Liturgia da Palavra: leituras; meditação na homilia; oração no salmos, aclamação e preces; contemplação no silêncio do coração. A leitura orante é um meio poderoso para ganharmos profundidade espiritual nas celebrações litúrgicas, antes, durante e depois da celebração. Não somente a missa, mas também os demais sacramentos, a celebração dominical da Palavra, o oficio divino. Aplica-se não só às leituras e salmos, mas também aos prefácios, orações, hinos...

A proposito da leitura orante como preparação da celebração dominical, eis o que diz João Crisóstomo (s. IV):

 “Antes de abordarmos as palavras do Evangelho, tenho um favor a vos pedir. Não é nada de pesado ou impossível o que vos peço. Se concordardes, vai ser útil não só a mim, mas sobretudo a vós mesmos que aceitais meu pedido. Mais ainda, será mais útil a vós que a mim. Qual é esse pedido? Que no primeiro dia da semana, ou mesmo no sábado, tomeis em mão o texto do Evangelho que vai ser lido na assembleia (no domingo seguinte). Que exploreis e examineis o que aí está dito. Que anoteis o que está claro, o que está obscuro, o que parece opor-se, mesmo que na realidade nada entre em oposição. Assim vireis à assembleia depois de ter refletido bastante tudo. Não será um benefício pequeno que tiraremos juntos deste estudo. Quanto a nós, não precisaremos mais de muito esforço, para expor a força das palavras (bíblicas), uma vez que o vosso espírito já estará bem habituado ao conhecimento do que está sendo dito. E vós mesmos, com um espírito mais penetrante e mais perspicaz, ouvireis e aprendereis melhor”.

 

e)Verbo Domini 72: “Se é verdade que a liturgia constitui o lugar privilegiado para a proclamação, escuta e celebração da Palavra de Deus, é igualmente verdade que este encontro deve ser preparado nos corações dos fiéis e, sobretudo, por eles aprofundado e assimilado. Juntamente com os Padres sinodais, expresso o vivo desejo de que floresça “uma nova estação de maior amor pela Sagrada Escritura da parte de todos os membros do Povo de Deus, de modo que, a partir da sua leitura orante e fiel no tempo, aprofunde a ligação com a própria pessoa de Jesus”.

 

10- Passos para a Leitura Orante da Bíblia – 24º. Domingo do T. Comum-12/09/21

1. Momento de oração - acendimento da vela 

 Invocação do Espírito – Preparemos nossos corações para escutar o que Deus tem a nos dizer. Peçamos que o Senhor nos mande seu Espírito e nos ajude a descobrir o sentido que a Palavra tem para nós hoje.

 Canto – “A nós descei divina luz”.

Oração: Senhor nosso Deus, concede-nos a graça de como Maria, mãe de Jesus, alargar nossas entranhas para que a tua Palavra venha habitar em nós. Que nada nos impeça de acolher o que tens a nos dizer neste dia. Que pela força do teu Espírito “faça-se em nós segundo a tua Palavra” (Lc 1,38). Nós te pedimos, ó Pai, em nome de Jesus. Amém! (tempo de silêncio para oração pessoal)

 

1: LEITURA - O que diz o texto? Mc 8,27-35; Is 50, 5-9ª; Sl 114(115); Tg 2,14-18

- Leia o texto em silêncio, atentamente, várias vezes, sem analisá-lo ou fazer interpretações.

- Momento de silêncio interior, lembrando o que leu.

- Ver o sentido de cada frase. Se possível, contextualizar o texto.

- Quem está falando? Para quem está falando?

- Como Jesus falou?

- Olhe os textos que vêm antes e depois. Olhe também o texto de Isaías...

- Qual a ligação que tem com o evangelho?

    repetição do texto

 

2. MEDITAÇÃO - O que Deus me diz nestes textos?

- Que frase ou palavra dos textos é mais forte para mim?

- Repita a palavra suavemente, várias vezes, como “palavra de Deus para mim”.

- Atualizar e ruminar a palavra ligando com a vida... trazer o texto para a própria vida e realidade (pessoal e social).

- Como Deus me fala?

narração (alguém conta o texto, mas sem usar a Bíblia

3. ORAÇÃO - O que os textos me fazem dizer a Deus?

- Dirija-se pessoalmente a Deus. Responda aos apelos que ele faz nos textos. Suplicar, louvar, dialogar, pedir perdão... o que dizer para Deus?

- Formular um compromisso de vida

   expressão corporal (cada pessoa procura criar uma expressão que resume o texto) ou Cantar o salmo 114(115)

 

4. CONTEMPLAÇÃO

- O que os momentos anteriores deixam gravado no coração como convite para saborear e apelo para um novo modo de agir.

- Contemple a ação que Deus operou em você na leitura desses textos.

- Ver a realidade com os olhos de Deus.

- O que me faz enxergar e me leva a fazer os textos?

- Que ação evangélica (boa noticia) esses textos sugerem para você e sua prática?

-Escolher uma frase como resumo para memorizar.

- Que evangelho (boa notícia) esses textos trazem para a comunidade?

   cantar o texto

 

5. PARTILHA

- Quais foram os meus sentimentos

- O que achamos atenção desse “jeito de ler a palavra”?

 

João Cassiano (século V) - referindo-se à interpretação dos salmos:

Continuamente fortalecido por tais alimentos, assimila todos os sentimentos dos salmos de tal forma que começa a cantá-los não como compostos pelo profeta, mas como brotados dentro de si mesmo, pronuncia-os como oração sua pela profunda compunção do coração ou julga-os serem dirigidos à sua pessoa. Vê que as suas sentenças não somente naquele tempo se realizam pelo ou no profeta, mas diariamente em si mesmo se completam.

Então as Sagradas escrituras se abrem de par em par, sempre mais claras e por assim dizer dão a conhecer suas veias e medulas, quando nossa experiência percebe e mais ainda, antecipa seu sentido, e manifesta-se a força das palavras pelo próprio texto e não por alguma explicação.

Acolhendo no coração o mesmo sentimento com que foi cantado ou escrito o salmo, tornamo-nos como que seu autor e mais antecipamos sua compreensão do que a seguimos. Quero dizer, colhendo primeiro a força das palavras e só depois o seu conhecimento. Lembramo-nos, ao recitá-los, daquilo que em nós se processou ou foi gerado dia a dia (....)

Pois todos estes sentimentos nós os encontramos nos salmos. Como que num espelho límpido reconhecemos o que nos aconteceu; instruído pelos sentimentos do mestre, apalpamo-lo como consistentes e não apenas ouvidos; não aprendidos de cor, mas como que por natureza surgidos no íntimo do coração, de tal maneira que penetramos no sentido do texto por já ter experimentado antes...

 

                                                                       Maria de Lourdes Zavarez

                                                                                              Nova Veneza/GO, setembro de 2021

                                                        

 

 

[1] Ione Buyst, Palavra de Deus, in. Mistério Celebrado, memória e compromisso, n.9, p.125

[2] Ione Buyst, Palavra de Deus, livro ou pessoa viva? Artigo publicado na Revista de Liturgia n. 89, 1988, p.152-154.

 

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