O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

MISTAGOGIA do RITO do LAVA-PÉS

26/03/2021

 MISTAGOGIA  do  RITO  do  LAVA-PÉS

Rede Celebra Nacional – 26/03/21

M. de Lourdes Zavarez e M. Carmo de Oliveira

 

  1. Uma palavra sobre Mistagogia

 

A liturgia é AÇÃO, constituída de ritos, ações maiores ou menores que carregam um significado e uma força transformadora.  

Rito é uma linguagem feita de palavras e sinais/gestos que expressam o imenso e compassivo amor de Deus por nós, o mistério de nossa fé cristã.

Estes ritos, quando cheios do Espírito Santo, podem nos tocar e nos transformar ao longo da vida, por este mistério do Amor de Deus por nós.

Para isto acontecer precisamos passar por uma iniciação, sermos introduzido/as.  

Assim, teremos condições de participar de maneira ativa, consciente e amorosa da ação litúrgica e compreender, saboreando esta linguagem feita de sensibilidade simbólica, de cultura bíblica e de abertura ao transcendente. (BUYST, Ione. O Segredo dos Ritos, p.113).

Se não temos uma iniciação, os ritos perdem sua capacidade de fazer o mistério nos atingir e ficam reduzidos a um ritualismo sem sentido. É muito comum hoje em tantas celebrações: ritos vazios, feitos sem expressar o que significam e não nos ajudam a entrar e participar do Mistério Pascal, mistério transformador de Cristo.

Mas aos poucos estamos encontrando o caminho da MISTAGOGIA, método antigo, usado pelos Pais e Mães da Igreja (sec. III e IV) e hoje sendo reencontrado e usado na iniciação cristã e indicado pelos vários Diretórios Gerais para toda a formação cristã.

Desde o Concílio Vaticano II a Igreja está buscando substituir a catequese tradicional, tipo aula, desenvolvendo ideias, doutrina, em                                                                                                                                                    preparação aos sacramentos pelo Catecumenato e outras formas de iniciação cristã, com dimensão mistagógica, ou seja, a maneira que conduz a fazer experiência do mistério da fé.

Hoje vamos aprofundar o Rito do Lava-pés nesta perspectiva mistagógica.

E para isto vamos lembrar que Mistagogia é palavra vinda do grego, muito usada hoje na catequese, na liturgia e na teologia. É composta de duas partes: mist+agogia. Mist relacionada ao mistério e agogia, conduzir, guiar. Ação de conduzir, guiar para dentro do mistério. Mistagoga/o é a pessoa que conduz, que guia para a experiência do mistério.

A liturgia é a casa da Mistagogia, é o lugar primordial dela, onde experimentamos e saboreamos o mistério pascal que cremos e celebramos.  

Quando em 2003, celebramos os 40 anos da SC, o Papa S. João Paulo II, na carta apostólica Spiritus et Sponsa, disse:

“É mister... que os Pastores encontrem a maneira de fazer com que o sentido do mistério penetre nas consciências, redescobrindo e praticando a ‘arte mistagógica’, tão querida aos Padres da Igreja”.

Na encíclica Sacramentum Caritatis, Bento XVI traz uma grande parte sobre a mistagogia.

E o Papa Francisco prossegue no mesmo caminho, desde a Evangelli Gaudium e, sobretudo, em sua ação e testemunho.  Nestes anos ele tem realizado o rito do lava-pés, dando-lhe um novo e atual significado.

A mistagogia é uma pedagogia eficiente, uma maneira que consegue levar a pessoa para dentro do mistério.

Ela faz uma ligação entre três pontos:

a) o rito, a ação ritual;

b) o sentido, o mistério escondido na realidade da vida e revelado ao longo da história da salvação e

c) a vida vivida de acordo com o que celebramos.

Vamos aprofundar estes três pontos com o Rito do Lava-pés, já que não é possível fazermos uma vivência, uma experiência significativa com um laboratório litúrgico.

 

  1. O Rito do Lava-pés e análise da ação ritual

 

O rito do lava-pés já é encontrado em Jerusalém nos meados do século V. Depois o rito se propaga no Oriente e no Ocidente.  Desde a época de Santo Agostinho era comum a prática do lava-pés na Quinta-feira Santa.

Na reforma litúrgica de Pio XII, foi permitido o rito após a homilia, em todas as igrejas, pois era restrito às catedrais.

Anualmente na celebração vespertina da Páscoa da Ceia do Senhor, na quinta-feira santa, realizamos o Rito do Lava-pés.

 

O Missal Romano atual propõe que, logo após a homilia, quem preside realize o lava-pés no qual toma parte um grupo de fiéis, lembrando o que Jesus fez e mandou fazer na última Ceia, num ato de amor e de serviço. Enquanto se realiza o lava-pés, cantam–se antífonas indicadas ou cantos apropriados.

 

Não se trata de uma simples encenação, mas realizar o gesto com o sentido e a atitude com as quais Jesus o fez: “ Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais”. (Jo13, 14-15)

Segundo a comunidade de João, o serviço amoroso é uma das características que marcava a identidade dos discípulos e discípulas de Jesus: “Vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz”.

 É bom lembrar, que o rito de lavagem dos pés é comum em várias tradições religiosas com o sentido de purificação, como também de acolhimento interior e hospitalidade.

 Abraão quando recebe a visita dos mensageiros celestes sua primeira atitude é de ordenar: “Que se traga um pouco d´água para lavar os pés” (Gn. 18,3). (Cf. MIRANDA, Corpo, território do Sagrado, p. 67-70). Foi um gesto de acolhimento, de hospitalidade aos mensageiros.

Em muitas tradições espirituais, o mestre lava os pés dos seus discípulos. “É uma obrigação requerida pelo Deus do agradecimento e da compaixão, que tu sejas lavado a cada dia, lavado em teus pés de toda a sujeira que o caminho deixar neles e dos erros de rebelião onde tu caminhaste”, diz um dervixe. (LELOUP,J.Y, O corpo e seus símbolos, p. 31)

 O relato do lava-pés (João 13,1-15), proclamado na Celebração Vespertina da Quinta-Feira Santa, abre o Tríduo Pascal, no clima dramático da traição e da paixão. Está intimamente ligado com as outras leituras:

- Ex 12, 1-8.11-14(o rito da Páscoa judaica); Sl 115 (ação de graças e oferta do cálice da bênção);

         - 1Cor 11,23-26 (o primeiro relato da instituição da eucaristia, no Novo Testamento).

No evangelho de João a narrativa do lava-pés corresponde ao relato da instituição da Ceia nos outros evangelhos: Mt 26, 26-29; Mc 14,22-25; Lc 22, 19-20.

É muito mais que um gesto de humildade. É um gesto pelo qual o Senhor deseja fazer compreender o sentido de sua vida e missão redentoras. Sintetiza a ceia e a cruz.

 

  1. O Sentido, o Mistério, a Ação da Salvação celebrada no rito do Lava-pés e sua raiz bíblica

Só o evangelho de João traz o rito de Lava-pés. É preciso situar o evangelho de João em fins do primeiro século.

Nesta época, os ensinamentos e ações de Jesus são relidos pela comunidade do Discípulo Amado, em seu processo de crescimento na fé e definição mais profunda de sua identidade de seguidoras de Jesus, Filho de Deus. (Cf. LOPES, M. A confissão de Marta: Leitura a partir de uma ótica de gênero, p. 57). 

O Evangelho não é fruto de uma pessoa, mas da comunidade do Discípulo Amado, que tinha seu modo próprio de ser e de agir. Teve uma longa preparação, entre perseguições, crescimento na cristologia e aprofundamento da fé de uma ou mais comunidades, durante uns 60 anos. Tem uma estrutura cuidada, altamente elaborada, sutil e escrito em grego pobre, cheio de termos aramaicos. Antes de ser escrito, foi vivido e gestado com muitas dificuldades, é, pois, testemunho de muitas gerações que acentuavam a mística da unidade e a necessidade do amor sem limites.

Atribui-se a autoria do quarto evangelho ao Discípulo Amado, que foi identificado com o apóstolo João. O seu evangelho também é diferente dos três sinóticos. Essas comunidades foram iniciadas por judeus convertidos a Jesus.

Iluminadas pela fé em Jesus e pelo Espírito Santo adquiriram uma identidade própria, em meio a muitos conflitos, que são revelados por palavras divergentes como a palavra mundo, luz/trevas, verdade/mentira. Em João há termos que constituem pontos fundamentais: PALAVRA, vida, graça, amor, Espírito Santo, adoção, fé, água viva, bom pastor, cordeiro, testemunha. Lembremos do Prólogo.

Mais que os sinóticos, o evangelho de João insiste no sentido da vida, sentido dos gestos e das palavras de Jesus. Os acontecimentos da vida de Jesus são sinais e têm um caráter cultual e sacramental e se desenrolam em contexto litúrgico em 9 festas da fé judaica.

As ações de Jesus são reconhecidas como "sinais" que não apontam tanto para o miraculoso, mas referem-se a uma realidade mais profunda que se deve acolher com uma fé transformadora.

Assim sendo, o quarto evangelho não menciona milagres, mas se compõe em sua primeira parte de sete SINAIS e na segunda parte, do cap. 13 ao 20,30-31 trata do GRANDE SINAL, a HORA de Jesus, a sua Páscoa, “a passagem deste mundo para o Pai; e tendo amado os seus, amou-os até o fim”.

No lava-pés, ação profética de Jesus que confirma o seu amor e anuncia sua morte, Pedro aparece como o discípulo que não entende, ou não aceita a atitude do Mestre, realizando um ritual próprio das mulheres, dos escravos, servos... (Cf. Bortolini, José, Como ler o Evangelho de João – O caminho da vida. Paulus)

A narrativa do Lava-pés como a Hora de Jesus, é a hora do Amor até a entrega da vida, entrega do seu corpo, sua entrega total. Jesus manifesta claramente que saiu de Deus e a Deus voltará livre e conscientemente, sem posição social, sem privilégios.

Jo, 13, 1-15: “...4 Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5.Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura. ...12. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e perguntou: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? 13. Vocês dizem que eu sou o Mestre e Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. 14. Pois bem: eu, que sou o Mestre e Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros.”

Retomada dos gestos/sinais de Jesus: 1. Levanta-se do lugar de honra da mesa; 2. Depõe o manto de senhor e mestre; 3. Pega um avental, uma toalha, um pano; 4. Veste-se como uma mulher, um escravo... 5. Pega e põe água em uma bacia; 6. Começa a lavar os pés dos/das discípulas/os; 7. Enxuga os pés; 8. Pedro interfere no ritual de Jesus; 9. Jesus retomou o manto, mas não tira o avental; 10. Voltou à mesa. 11. Ensina como Mestre e Senhor...

 

“A ação-sinal do lava-pés, manifesta a comunidade joanina como comunidade alternativa, novo modo de compreender e viver o discipulado. (Cf. FIORENZA, E. As origens cristãs, p, 370).

 

O Ev. de João nos traz uma nova compreensão, uma nova teologia da Eucaristia, como serviço radical e entrega da vida aos irmãos. Essa entrega total é o objetivo, a causa de sua encarnação, de sua missão na humanidade.

A expressão “lavar os pés” é repetida no texto, sete vezes. Nesta ação Jesus demonstra em que consiste seu poder, seu ministério e seu magistério: em servir os irmãos até a entrega total de sua vida na morte de cruz. Uma clara proposta para a organização de uma comunidade de irmãos, discipulado de iguais.

De outro ponto de vista simbólico, lavar os pés de alguém é também devolver-lhe sua capacidade de prazer diante da vida, é recolocá-lo de pé. Além do sentido de humildade, de serviço, há o sentido pascal de reerguimento, de ficar de pé, de devolver a dignidade, de amor total. Jesus como Mestre e Senhor, coloca-se aos pés dos discípulos/as para ajudá-los a reerguer-se, a permanecer de pé, como sua Mãe Maria aos pés da cruz.

Aqui lembramos Fil 2, 1-11: Hino a Jesus Cristo Servo e Senhor e por Ele ao Pai. Hino do culto cristão primitivo em que Paulo retoma, a humilhação e exaltação de Jesus. “ Jesus Cristo sendo Deus, disto não se aproveitou. Rebaixou-se a si mesmo, como escravo se tornou!”...

Pr 15,33: “À frente da glória, caminha a humildade.”

Isaías 52, 13 - 53,12: “Ele era desprezado, deixado de lado...homem das dores, familiarizado com o sofrimento, como aquele diante do qual a gente esconde o rosto...Na verdade são os nossos sofrimentos que Ele carregou, foram as nossas dores que ele suportou... desonrado por causa de nossas revoltas...a sanção estava sobre ele, garantia de paz para nós.” Is52,13: Eis que meu Servo terá êxito, ele será enaltecido, elevado, exaltado grandemente...)

Jo 12,32: “...quando EU for elevado da terra, atrairei todos a mim...”

Nos ritos do Lava-pés estamos diante de gigantesca trajetória de descida e subida que Jesus assume. “Esvazio faz a sua kenosis, despoja-se da sua “túnica”, de sua dignidade divina, veste-se com uma toalha, um “avental” de servidor, para reerguer a humanidade ferida e rebaixada pelo pecado.

Com esse ato consciente, que se prolonga até a cruz e nela tem seu ponto culminante, Jesus sela a revelação de que Deus é o servidor da humanidade. Fazendo-se servo, torna senhores os seus discípula/os, mas senhores quando consciente e amorosamente lavam os pés uns dos outros (v.14)

            João 12, 1-8, seis dias antes da Páscoa judaica, capítulo anterior ao do lava-pés, o evangelho de João apresenta este gesto profético e de intenso amor de Maria, na casa de Betânia. Antes de viver a dura experiência da paixão e morte, Jesus deixa seus pés serem lavados por uma mulher, que, além de os lavar com 327,45 gramas de nardo (fé) autêntico, enxuga-os com seus cabelos e beija-os. O corpo de Jesus, Maria e toda a casa ficam perfumados... Perfume é símbolo de unidade fraterna (Sl 133). Jesus deixa-se reconhecer plenamente humano. Cabelos e perfume, símbolos distantes do cotidiano de nossos pés.

 Neste gesto a mulher une o ser humano, da cabeça aos pés, em profunda comunhão de amor com Cristo; toda a humanidade fica restabelecida, perfumada, divinizada! O AMOR vence toda corrupção! (v.7)

O sentido do rito do lava-pés, Jesus o encerra na cruz, com a entrega total de sua vida para redimir, libertar, erguer a humanidade em direção ao Pai.

 

  1. Experiência de ‘salvação’ acontecendo para nós hoje, no e pelo rito do Lava-pés

Partindo da experiência do Papa Francisco que a cada ano tem realizado este rito com grupos diferentes: refugiados, mulheres, presos, jovens... podemos nos deixar penetrar pelo Mistério, pelo sentido que este rito revela para nós, hoje.

Comecemos por um dado antropológico deste mistério que nos acompanha diariamente.  A “planta dos pés” clama por nossas raízes. Como me sinto em relação às minhas raízes familiares, sociais, religiosas? Nego-as? Compreendo-as? Aceito-as? O equilíbrio mental, afetivo, espiritual depende de nosso enraizamento no humano, de nossa relação com o chão, com a terra, com a realidade.

 Os pés trazem a expressão dos mais diversos sintomas físicos e psíquicos. Técnicas de massagens se desenvolvem nos pés dos pacientes... trazem conforto e cura. É muito recomendável massagear os pés dos agonizantes, oferecendo-lhes alento e confiança.

Tanto na massagem quanto na lavagem dos pés, as mãos dão primazia aos pés, cuidam e unem-se a eles numa valorização recíproca. As mãos (membros superiores de apoio) dão lugar, cuidam dos pés (membros inferiores de apoio) que carregam o peso do corpo, o pó da estrada, enfrentam o ressecamento e rachaduras, o aperto do calçado... para que, as mãos uma vez poupadas, possam livremente, realizar outras ações tidas como mais delicadas e higiênicas da vida.

Só um suporte tão firme como os pés, podem nos manter erguido/as e nos fazem despregar de nosso umbigo, sair do egoísmo, cultivando o olhar e o cuidado pelos outros.

  Temos muitas experiências de caminhadas, de romarias a pé, de procissões, de passeatas onde nossos pés tem uma ação decisiva.

O Mistério do Lava-pés na celebração nos atinge quando, na inteireza do ser, participamos de maneira ativa, entrando consciente, amorosa e espiritualmente na ação e deixamos nos transformar pelo Espírito como servidore/as dos irmãos e irmãs, no dia a dia, tendo os mesmos sentimentos de Jesus, erguendo e levantando-as como pessoas dignas, respeitadas, filhas de Deus. Na liturgia nos deixamos SERVIR por Ele, nosso Mestre e Senhor e Nele nos transformamos em servidores dos irmãos e irmãs. Somos com Ele, Corpo doado e entregue para a vida do mundo.  

A participação no serviço, a entrega de nossa vida pela causa da vida é a maneira mais coerente de estarmos no seguimento de Jesus e prolongarmos sua ação pascal, transformadora.

Neste tempo de pandemia, a Comissão Episcopal de Liturgia da CNBB nos alerta sobre a impossibilidade de realizar este rito nas comunidades e paróquias. Envolve participação de pessoas, homens e mulheres na ação ritual, simbólico sacramental, o que traz aglomeração e gestos que favorecem a transmissão do vírus, Covid 19.

Diante disto, o rito do lava-pés fica reduzido à celebração na casa, onde for possível. “Onde dois ou três estiverem”... com quem convivemos e onde também somos chamados à unidade, ao serviço diário, simples e comprometedor de uma família: convivência entre várias idades, várias expressões culturais e religiosas, vários trabalhos, lugar do cultivo da partilha, do diálogo fraterno, do respeito, do perdão, da ajuda mútua, onde o AMOR é o grande elo e também, o grande desafio.

    Hoje estamos numa “mudança de época”, nos diz o Gogó, Roberto Malvezzi.  Ficamos mais recluso/as e somos levados a refletir mais, a viver com o essencial e descobrir um jeito novo de lidar com a vida ... sermos mais humanos... O que não é fácil!

O serviço mais solicitado a nós é o da solidariedade, do diálogo, do cuidado carinhoso das pessoas com quem convivemos, trabalhamos; dos mais pobres, dos atingido/as pela Covid 19, dos desempregados, dos excluídos da sociedade e da própria Igreja, dos indígenas, dos negro/as, dos LGBTs... o serviço da unidade(CFE, 2021) unindo-nos como irmãos a todas as expressões de fé, com compromisso de amor, de ajuda mútua, vencendo o ódio, a prepotência, o consumismo, a injustiça, o feminicídio, o preconceito, a desigualdade...

O serviço do cuidado, de uma nova relação com a  terra, a água, as plantas e animais em vista da vida, onde somos um SER ÚNICO, como nos propõem a Laudato Si e a Fratelli Tutti. Alargamos assim o sentido profundo do lava-pés, vivido no momento em que nos encontramos.

Onde o Amor e a Caridade, Deus aí está”!

“ Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!

“Ande como se estivesse beijando a terra com seus pés, como se estivesse massageando a terra. As suas pegadas serão como marcas de um selo imperial chamando o agora de volta ao aqui; para que a vida esteja presente; para que o sangue traga a cor do amor ao seu rosto, para que as maravilhas da vida se manifestem, e todas as aflições sejam transformadas em paz e alegria.”  (Thich Nhat Hanh)

 

                                    M. de Lourdes Zavarez e M. Carmo de Oliveira

                                                           Nova Veneza/GO, março de 2021

 

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