O mistério na vida... Circulando, fluindo... nos elementos, nas estações. Palavra que brota, agir que floresce... A luz pascal que incendeia a festa da existência. A soma dos "ires-e-vires", de homens e mulheres que celebram, se encantam, e se enredam, no cuidado com o mundo, na busca do Reino.

DESTAQUES SEMANAIS

“Liturgia nas Casas: fundamentos, desafios e possibilidades em tempo de pandemia”

18/09/2020

Relatório do 24º. Encontro

Celebra Regional Centro-Oeste

29 e 30 de agosto de 2020

 

“Liturgia nas Casas: fundamentos, desafios e possibilidades

em tempo de pandemia”

 

            Acolhendo o tempo de pandemia e distanciamento social, quando as grandes assembleias estão impedidas de se reunirem, o encontro da Celebra do Regional Centro-Oeste aconteceu mediado pelo uso das tecnologias. Iniciamos nosso encontro na tarde do dia 29/08/20 pela Plataforma Google Meet, dando as boas vindas carinhosa aos participantes.

Com vídeos e fotos, Rosânia apresentou a memória dos encontros anteriores desde o primeiro, ocorrido em dezembro de 1996 até o 23º realizado em agosto de 2018, a partir do qual os encontros foram locais, preparando-nos para o nacional em 2019.  

Com os corações embebidos de força pascal diante da trajetória desse regional, deu-se as apresentações de cerca de 39 participantes dos núcleos de: Mato Grosso do Sul; Paraíba; Distrito Federal; Mato Grosso; Minas Gerais e Goiás.

 O objetivo do encontro foi comentado pela M.Lourdes: “Aprofundar sobre a liturgia nas Casas, buscando seus fundamentos, desafios e possibilidades; o que temos de mais necessário e possível nesse momento de pandemia. A Liturgia nas Casas já foi tema da Celebra Nacional e do Regional desde 2014. Nesse momento como grupo mais maduro, importante rever, como colaborar com as pessoas com quem estamos convivendo, a celebrar o mistério de nossa fé. A liturgia não se limita à celebração, e só tem sentido se tiver ressonância na transformação pascal da vida. Considerou que os textos propostos para estudo preparatório, trazem pistas para nossa participação efetiva. E convidou que partilhássemos, conforme combinado, os pontos que nos ajudam melhorar nossa liturgia, o mistério da nossa fé, na celebração e na vida.

Textos indicados para os estudos: “Partiam o pão pelas casas” (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB SUL 4 Seminário Regional de Liturgia e Catequese); “A Igreja na casa - Contribuição sobre os fundamentos das Comunidades Eclesiais de Base” - Pe. Dr. José Comblin e “Celebrando no templo de suas casas: um povo sacerdotal” – D. Edmar Peron, publicado pela Revista de Liturgia, n.279.

A partilha deu-se tranquilamente com os participantes, citando partes dos textos, contextualizando-as com a vida cotidiana, eclesial e social. Destacamos partes dessa rica partilha e registramos com cuidado carinhoso em nossos arquivos.

 Ao final da partilha Lourdes retoma, reafirmando que estamos vivendo um momento de crise e de graça. Abre-se um espaço precioso para reencontrarmos o verdadeiro sentido da liturgia, da eucaristia, da Palavra, da relação, do cuidado com a vida e da própria Igreja. Agradecemos ao Papa Francisco pelo caminho que ele nos abre e nos conduz à centralidade do evangelho, do mistério da páscoa. Estamos vivenciando aquilo que a eucaristia vivida deve ser: na família temos espaço para partilhar, perdoar, cuidar da possibilidade de fazer na casa, no pequeno grupo, que se conhece, se ama, se perdoa... estar atento à realidade, às necessidades de transformação do mundo, e de nós mesmos.        A valorização da assembleia celebrante, povo convocado para a santidade, para a transformação do mundo, das relações, da economia, da política, é nossa vocação. Os presbíteros estão também com dificuldade de vivenciar seu ministério, porque ele não existe sem a assembleia.  São seus servidores.

 Vamos reforçar nossa participação de povo de Deus convocado. Reforçar a participação da mulher, fazer valer nossa função na igreja, não podemos presidir no templo, mas fazemos em casa. Estamos celebrando em casa, sem medo, fomos redescobrindo... vamos fazer valer, ficar feliz, é hora de bendição.

Nossa missão não para na casa; estamos num país atordoado com a economia, a política, o emprego, os direitos humanos!

 Estamos buscando um caminho bom e desafiador; vamos fortalecendo nossos laços de amizade, nos animando, fazendo acontecer no lugar em que estamos o Reino de Deus ele está ai, mesmo no meio de tanta contradição. Cuidar dos menores, dos pobres que estão ao nosso alcance é hoje uma urgência evangélica. Nós mulheres temos um papel muito indispensável na casa e fora dela.  Na última revista de Liturgia, tem um texto que apresenta como uma comunidade monástica feminina celebrou o Tríduo Pascal, só com mulheres. Que as CEBs continuem a nos empolgar como um modelo de verdadeira igreja.

O Núcleo de Campo Grande ainda compartilhou que vivenciaram a experiência da partilha e celebração do Tríduo Pascal em 2019. A liturgia não ficou só na família consanguínea. Celebraram o domingo pela plataforma, estendendo a benção, desejando que ela chegue a todas as mesas. Celebraram o Tríduo Pascal, dando sentido aos ritos e fortalecer cada celebração. Destacou que a Rede Celebra nos ensina a ser resistência, comungando com o que estamos vivenciando, assim, vamos conseguindo transformar a vida de cada um.

Após esta partilha, vivenciamos o momento de Leitura Orante conduzido pela Maria do Carmo, que levou o grupo a um mergulho orante nas leituras do Domingo. Encerramos o primeiro dia com a certeza de que a pequena comunidade, reunida nas casas, é a mesma igreja universal. Foi uma forte experiência de encontro com a Palavra viva e eficaz em nossa vida, preparando-nos para o encontro sacramental com Cristo na celebração do 22º Domingo do Tempo Comum.

Iniciamos a manhã do Domingo(30/08) com uma acolhida, lembrando o Domingo, dia do Senhor e o Dia do Catequista. Cantando o Canto das Criaturas, em sintonia com todo o universo.

Fomos convocados à reflexão de que estamos vivendo um tempo especial, onde somos chamados a colocar como princípio, o cuidado com o planeta e com o outro. Qual a nossa missão nesse contexto? – O chamamento do papa para uma igreja em saída, tem sentindo com a Eucaristia celebrada na igreja, e ela estiver a serviço da vida. Temos um caminho, é o evangelho; e o centro é Jesus Cristo. Como nós da Rede Celebra estamos priorizando a liturgia nas casas? – Podemos revitalizar o sentido da Páscoa, num âmbito maior?

         A partir deste questionamento, Lourdes retomou alguns pontos principais dos autores estudados e partilhados ontem.

 Comblin desenvolve o sentido comunitário da Igreja primitiva e nos recoloca nesta perspectiva da casa: pensar nos pequenos grupos que se reúne, que se quer bem, que se ajuda mutuamente, que se anima pela Palavra de Deus e se põe a construir o Reino;

Dom Edmar nos lembra que povo sacerdotal é todo o povo de Deus, e em casa estamos vivendo o ministério batismal, revitalizando o espaço da casa, como espaço eucarístico, da Palavra, da comunhão e construindo um espaço de liturgia existencial. Estamos encontrando outro sentido para eucaristia...ficamos muito tempo centrado na hóstia consagrada...agora estamos ampliando o sentindo, o anunciado por Jesus na última ceia: amar até o fim, dando a vida!

Os textos lidos nos ajudam a afirmar o que buscamos desde 2014, e a pandemia nos forçou a viver concretamente! Recebemos uma bagagem boa, momento de muita graça, em que Deus nos ajuda a ir nos desligando de tantas coisas que nos ligaram a Igreja institucionalizada, centralizada. Os presbíteros também vivem um drama pessoal, no sentindo de entender a liturgia, a eucaristia. Um ajuda o outro a abrir os horizontes. A igreja tem que mudar, ou a gente muda, ou perdemos o sentido. Isso é ação de Deus, que vai nos apontando a importância de vivermos nosso sacerdócio, sermos esse corpo espiritual, que não está só na igreja, mas em todo lugar. Reforçamos a questão das mulheres, em muitos lugares são as mulheres que estão fortalecendo, abrindo caminhos; a rede existe para fazermos esse caminho conjunto, cada um dentro das suas possibilidades.

Ainda foi aberto aos participantes para compartilhar o que ainda havia ficado para trás, sobre os textos estudados e mais algumas questões apareceram:

- Os que moram sozinhos, vivem um desafio maior ainda;

         – A casa ficou em evidencia, em vários idiomas foi reforçado, precisamos “estar em casa”. E estando em casa, tivemos que fazer opções, reinventando, vivendo o que desejávamos – o verdadeiro sentido da eucaristia, dentro de casa. Agora estamos conseguindo vivenciar o que conhecíamos na teoria, precisamos viver essas realidades, redescobrir nossa vida cristã plena em casa, que vai além da “hóstia consagrada”.

– Como a palavra forte é a CASA, e os que não tem casa? Como rede, como acolhemos os que estão sem casa? Lado dolorido desse momento, e cada vez mais, sabemos que tem mais pessoas na rua, inclusive morrendo de frio neste tempo.

         – Sugeriu-se que um dos temas dos próximos estudos poderia ser a constituição da casa como espaço litúrgico.

– Lembrou-se das famílias do MST de Minas, que cuidam da terra há 20 anos, cultivando café e foram despejadas. E a expulsão começou pela destruição da escola. Destruição de um cafezal de 16 anos... é uma ofensa profunda a mãe terra e às famílias.  Porque é assim que os governantes querem, no momento que teríamos que ter cientistas capacitados para encontrar a vacina, eles continuam derrubando escolas, impossibilitando aos pequenos a aquisição de conhecimentos.

- Consideremos o planeta terra, como Casa Comum... onde tudo está interligado.

– Barracos embaixo do viaduto em São Paulo, sempre nos questionam...temos uma casa tão grande, sempre nos preocupamos, oferecemos para acolher outras pessoas. Celebramos todos os dias o Ofício. A nossa casa faz parte de um rito, temos que reservar um espaço... agradecemos que somos dois. Quando chega alguém, ficamos muito felizes em acolhe-lo.  A casa “planeta” – tempo seco, pássaros gritando, buscando água. O que posso fazer? Esse momento que estamos reunidos, me propiciará encontrar uma resposta.

– O sentido que a casa assume para o mundo inteiro. Nós que temos esse espaço de aconchego e muitos familiares que trabalham nos serviços essenciais, foram todos infectados, quando chegam em casa se sentem protegidos. E os que não tem esse espaço que abriga? - estamos fazendo essa experiência da casa que tem o significado de vida, nossas pequenas ações, nossa consciência diante desse genocídio da nossa casa comum, e a nossa responsabilidade diante de tudo isso. Nosso desgoverno não está nem ai, para essas questões. Nosso trabalho é de formiguinha, de fazer a nossa parte. Esse cuidado começa dentro das nossas próprias casas, ensinar as crianças, cuidar do lixo, da reciclagem, fazer a nossa parte e esses gestos vão se juntando a tantos outros.

– Indios Pataxos seriam despejados em plena pandemia e...está havendo os despejos. Cada vez mais pessoas sem casa. Aumentou o sentido da solidariedade, que essa nos mova, encaminha, para que a sociedade mude, para que esse sistema mude, talvez com nossas pequenas ações. O Grito dos Excluídos na próxima semana será um sinal.

Lourdes fechou essa parte reafirmando que nosso lugar é onde estão as pessoas. E a proposta do papa, é cuidarmos da vida, na sua intimidade e também na sua amplitude. Abrir o coração para os mais pobres. Desejou que por hora, possamos ir nos alimentando desse conteúdo, que abre o coração da gente, olhos, mãos, bocas, para agirmos na hora certa. Ressaltou a necessidade de cada núcleo se reorganizar, pois cada realidade pede uma ação especial e possível.

Em seguida foi apresentada a proposta do Celebra Nacional para as comemorações dos 25 Anos da Rede, lembrando que elas também podem ser pensadas por Regional e/ou Núcleos.

Daniela solicitou que cada núcleo sugestões de celebrar os 25 anos, e em seguida apresentou as proposições do Nacional:

- Realização com vídeos de depoimentos das pessoas do núcleo (até dezembro);

- Formação com abrangência nacional;

-Os núcleos devem enviar um formato para que a comemoração seja bem festiva.

Lourdes lembrou que nosso Núcleo nasceu quase junto com o Nacional, e que a mística do advento nos acompanha.

Algumas sugestões foram feitas para celebrarmos como Regional:

– Vígilia no Advento e Roda de conversa, porque necessitamos desse momento de memória e celebração.

- Lembrar das pessoas, que por um motivo ou outro, se afastaram, trazê-las para comemoração. Assim como, como companheiros de outras denominações religiosas que comungam com a proposta da rede, evangélicos e espíritas.

Lourdes citou que na sua casa, fazem todo sábado, a leitura orante e podem abrir o convite para quem quiser participar junto. Das 17h às 18h. Magda, Idê e Rosely ficaram de enviar o link no horário, no grupo do Regional.

Ficou determinado que a data para envio de sugestões para celebração dos 25 anos, a nível de regional é até final de setembro.

- Celebração de Aniversário 05/12 – A Vigília a partir de Nova Veneza.

- Montagem de uma Equipe para preparação com um integrante de cada núcleo.

A Celebração do Dia do Senhor muito orante e participada, encerrou nosso 24ª Encontro, onde firmamos nosso compromisso de não sermos “pedras de tropeço”, mas, seguindo, atrás do Senhor, e vivermos a busca do que é bom, agradável e perfeito para Deus, compreendendo que o sentido da Eucaristia é ser Corpo de Cristo em casa, no trabalho, no mundo, amando com o mesmo amor com que Ele nos amou, até o fim.

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